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As razões dos meus escritos

por Almeida Roque (Comendador) em Junho 12,2013

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Talvez o acaso e a sorte tivessem ditado o meu destino e, salvo aqueles naturais desatinos da juventude, a minha vocação idealista, cedo me chamou a assumir responsabilidades.
 A primeira, e creio que decisiva, foi deixar a Escola Comercial e Industrial de Águeda, aos 12 anos, para ir trabalhar no comércio de  Lisboa. Esta atitude, num aluno que estudava com gosto e tinha a benção dos professores e director,  evidencia, acima de tudo, a
personalidade bem precoce de quem quer marcar o seu destino.
Foi essa personalidade que me fez comerciante aos 16 anos. E ser comerciante na aldeia significava, naquele tempo, viver com o povo e, com toda a plenitude, sentir as suas alegrias e, ainda mais, as suas angústias, até sentir as suas doenças, ao tempo em que muitas das que hoje se curam rapidamente, naquela época, correspondiam à sentença de morte.
n SOLIDARIEDADE: Neste ambiente, aprendi a viver com a sociedade e a sentir os seus problemas, com a noção muito vincada das responsabilidades sociais que emanam da vida colectiva que, para existirem com verdade, exigem a prática da solidariedade.
É com a consciência plena de todos estes meus deveres, que aprecio o momento político e económico que vivemos e as expressões tão diversas com que os vários extractos económicos e sociais, enfrentam esta triste situação, ignorada por muitos que vivem ao lado de crianças e idosos amargurados, os jovens pelo seu futuro e os outros, a pensar como será o seu fim!
Seria fastidioso comentar todas estas lacunas sociais e os seus vários autores e, por essa razão, escolhemos os mais importantes – Governo,  Assembleia da República e comunicação social - para, com a larga experiência da nossa vida, exercermos o nosso direito de apreciação e crítica, sempre olhos postos no interesse da sociedade.
Esta última (comunicação social) massacra-nos com notícias desencontradas, favorecendo sempre as cores que lhe agradam e os números que lhe convém mais, parecendo privilegiar a desinformação, com notícias contraditórias, baralhando de tal forma os sentimentos do homem comum que, de tantos conceitos ouvir, acaba por se tornar presa fácil do mais ardiloso.
n ASSEMBLEIA: A Assembleia da República, que devia ser o lugar onde, nesta hora trágica, se reunissem as pessoas mais qualificadas para, em ambiente sério e colaborante, encontrarem as melhores soluções, a quase totalidade dos que assim deviam agir parecem mais inimigos apostados em nos fazer crer que se agridem mutuamente, do que companheiros da mesma jornada, protagonizando incidentes que transformam aquela sala, que lhes devia merecer o maior respeito, num palco onde mais parece estar a representar-se uma comédia ordinária, ou uma luta fratricida que, de tão anormal, se fica na dúvida de estarmos a assistir a um espectáculo de conveniência, para ludibriar quem ouve, ou assiste pela televisão a cenas patéticas e que são, simultaneamente, uma aula de má educação.
Pode não ser assim mas parece, já que os objectivos que todos dizem prosseguir deviam ser representar e defender o povo, que até é a origem do dinheiro que eles utilizam para auto-estabelecerem os seus vencimentos mas, infelizmente, tem-se a noção clara de que a sua prática não está de acordo com a teoria, mas vincadamente ao contrário.
n GOVERNO: E quem tem a responsabilidade de governar este país, que nem totalmente soberano é, parece, em muitas situações, cego às realidades, fazendo do fisco a arma com que resolve todos os problemas e acabando por criar, nos cidadãos, uma espécie de angústia colectiva, que agrava ainda mais as múltiplas dificuldades de que sofre a maioria dos portugueses!
O seu presidente poderá ter rectas e válidas intenções mas, das reformas apresentadas no seu programa constava, sobretudo, debelar essa espécie de doenças incuráveis que são a quase totalidade das empresas públicas (sobretudo de transportes), algumas parecendo uma “engenharia financeira”, imaginada para albergar amigos ou desempregados políticos.
n REFORMAS: Até hoje, as verdadeiras reformas ficaram por fazer, quase se limitando a cortar em algumas despesas dos vários Ministérios, mas, mesmo nestes, os privilégios e privilegiados continuam e o 1º. Ministro devia explicar aos Portugueses porque é que não lhes aplica a austeridade que ele impõe a si próprio.
Instalaram-se na vida pública duas instituições: a da mentira e a da contestação. Uns afirmam e logo outros desmentem e todos parecem ignorar aquilo que eu venho escrevendo e dizendo há vários anos: Portugal está a viver um tempo que só tem paralelo em 1580, quando o Rei Filipe se coroou também como Rei de Portugal e fomos pelos Filipes governados, até 1640.
Mas, esquecendo tudo isto, os vários grupos de interesses continuam a fazer reivindicações, ignorando totalmente a trágica situação da nossa economia e as responsabilidades assumidas (pelo Governo anterior e, também o maior responsável) perante os credores estrangeiros.
n SOFRIMENTO: Entretanto, a maioria dos Portugueses sofre e Portugal vai definhando em cada dia que passa e está já, neste momento, incapaz de, por si só, resolver a triste situação a que chegou e à mercê do que os outros tiverem vontade de fazer por nós.
E o Senhor Presidente vai fazendo os alertas inócuos do costume, incapaz de tomar as decisões que, do meu ponto de vista, se impunham, cumprindo um adágio popular que diz para debelar “grandes males “ é mister aplicar “grandes remédios”. E para quem ama a sociedade, embora não sendo monárquico…, DÁ VONTADE DE GRITAR, AQUI, d'EL REI!!!
n ALMEIDA ROQUE


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