Cultura: "Tarrafo" de Armor Pires Mota
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Armor Pires Mota lança, a 15 de Junho, a edição fac-similada do livro “Tarrafo”, com todas as anotações e sublinhados dos Serviços da Censura.
O livro foi apreendido e proibido pela PIDE, na altura da edição (1965), o que faz dele ser o único livro proibido de toda a guerra colonial e o transformou, consequentemente, num documento único. O evento integra-se nas comemorações do 5º. aniversário do Núcleo de Oliveira do Bairro da Liga dos Combatentes, corresponsável pela iniciativa, e terá lugar, às 16 horas, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro. Será apresentador o coronel comando Manuel Ferreira da Silva. “Há anos, por uma asa de sorte, chegou-me às mãos o exemplar censurado e como este ano faz 50 sobre a mobilização do meu batalhão para a Guiné, aproveitei para fazer a reedição”, disse Armor Pires Mota. O livro, incómodo para o regime, é o testemunho de quanto os soldados sofreram nesta frente de guerra e a prova de que fazia tudo para branquear a realidade: as Forças Armadas exerciam actos de polícia, as emboscadas e os assaltos a bases inimigas, a recuperação das populações eram pura ficção, ou havia apenas acidentais escaramuças. Por isso, como diz outro escritor combatente, Mário Beja Santos, “lê-se Tarrafo e fica-nos a convicção de que o texto é perene, está lá quase tudo e estamos lá quase todos”. O livro, com 160 páginas, tem um preço especial de lançamento (10 euros).
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