Doze milhões e meio...
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Aqui há dois dias, deu-me nas vistas, em letras garrafais, um título de jornal - o de "Notícias" - exposto numa montra. Assim: "Seguro quer nogociar 12,5 milhões para mudar Portrugal". Como o congresso do PS me tinha passado ao lado - agora "viajo" principalmente por canais do cabo - comprei o jornal. Que título apelativo, que solução tão fácil! Assim a modos: estou constipadíssimo, vou comprar aspirinas. Não há nada como ter ideias precisas e, ainda por cima, fáceis de concretizar! Depois de ter lido os meandros do negócio para a mudança, só fiquei com uma dúvida: 12,5 milhões "até nem é muito dinheiro" mas, mesmo assim, será que estarão de acordo em esportulá-lo as entidades estrangeiras, a partir de quem a salvação seria encontrada?!... Como dizia o outro: o diabo está nos pormenores. O discurso do Presidente da República (que passou de novo a simplesmente Cavaco) pareceu-me uma mera análise da situação do país, não deixando mesmo de atribuír culpas à Troika e à UE. E até falhas ao Governo, sobretudo no que à austeridade diz respeito. Caiu-lhe em cima o Carmo e a Trindade e, até lá mais longe, abanou a muro das lamentações. No "Expresso", encontrei uma crónica de Fernando Madrinha que pode explicar tanta exaltação: "Na sessão solene do 25 de Abril, o Presidente da República podia ter dito coisas muito diferentes das que disse. Podia ter dito "que se lixe a Troika" e que "recusamos pagar a dívida". Ou que temos de renegociar tudo e impôr as nossas condições aos credores, ainda que eles não estejam pelos ajustes. Podia mesmo ter informado que ia dissolver o Parlamento, apesar de nele existir uma maioria, e marcar novas eleições, só para ver se António José Seguro conseguiria mesmo chegar a primeiro-ministro. Com um discurso assim, talvez fosse aplaudido pelas oposições, embora o país inteiro, inclusive seguro Jerónimo e Catarina, ficassem a pensar que Cavaco tinha ensandecido". Pois podia. Sampaio já fez coisa semelhante, tomando para si a "paternidade" de Sócrates a chefe de um executivo... Acertou no euromilhões. Nem tanto era preciso: por ora, e depois do que se viu, só doze milhões e meio são necessários à salvação da pátria. Haja Fé!
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