Mãe
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Para o dia em que muitos olham aquela mulher que deixou de existir, para si mesma, quando sentiu dentro de si uma vida nova posta no seu seio pela vontade de Deus e por um amor que, mesmo parecendo humano, foi espelho de um amor divino, aqui deixo com simplicidade e carinho para todas as mães que contemplo na minha própria mãe.
Mãe, Vejo nos teus lábios um doce e largo sorriso, Silencioso, grato e profundo Quando, naquele momento preciso, Sentiste no teu seio o meu pequenino ser E, numa prece, ao Deus de imensa bondade Pediste que, por caridade, Não me deixasse morrer Antes de contemplar a luz do mundo. Revejo com renovada emoção Os teus lábios em alegre oração De gratidão Por uma frágil e imperceptível vida Que, para generosa missão, O Senhor pôs na liberdade da tua mão E, no teu ventre, foi concebida.
Contemplo os teus lábios que cantaram Enquanto, de alegria, os olhos choraram Aquando do meu primeiro vagido. As dores e ansiedades passaram, As incertezas e temores calaram Pois eu, teu filho, havia nascido.
Ouço agora teus lábios, preocupados, Perguntarem ao Deus Criador Porque permitia a dor A um ser indefeso e sem pecados.
Escuto teus lábios que educaram meu crescer; Tanto beijaram como repreenderam também. Caminhava seguro e o tempo parecia correr, Guiado, desde cada amanhecer, Por tua amorosa voz de mãe.
Observo teus lábios num sorriso aberto, Em admiração reconhecida Pela pessoa, ainda sem rumo certo Mas que, por tua livre generosidade E entrega à divina vontade, Geraste para a vida.
Relembro teus lábios de autoridade e amor, Dando as ordens ou meigos conselhos Rumo ao conhecer Aquele Deus e Senhor, Dito presente na imagem e semelhança De todos, crianças, jovens e velhos, Irmanados na procura da fé e da esperança. Quero reter na minha mente, Com eterna estima e gratidão, O que viram os meus olhos Quando, muito serenamente, No meio de dificuldades e escolhos Teus lábios sibilavam ardente oração.
Jamais desejo olvidar Teus lábios já enfraquecidos Que beijaram com ternura e ardor E, como fogo posto, Num contínuo recomeçar Avivaram meus sentidos, Ateados no meu rosto.
Diante de mim o teu olhar, De lágrimas marejado, Acompanhando teus lábios Com conselhos seguros e sábios Para que nunca me deixe enlear Nos braços do pecado.
Nos momentos derradeiros, deveras angustiantes, Entre sufocos de comoção ou tremor, Tentei calar aqueles penosos instantes, Com as minhas nas tuas mãos cheias de amor. E, quando teu olhar, consciente e sereno, Parecia penetrar já os Céus, Legando a este mundo terreno A ternura E doçura, Que não mais deverei esquecer, Os teus olhos cruzaram os meus E teus lábios ainda puderam dizer: - Meu filho, adeus!
n P. MANUEL ARMANDO (Do meu livro “TEMPO COMUM NO OLHAR DA ESPERANÇA”)
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