Entrevista: A vocação de servir do Comendador do Povo
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António Soares de Almeida Roque nasceu em Barrô, em 1919, e nos seus 94 anos de vida, completados no início de 2013, não se tem cansado de fazer bem à sociedade, que o intitulou de Comendador do Povo.
A vocação para servir vem dos tempos da instrução primária e a família tem-se posicionado a seu lado, nesta manifesta vontade de fazer bem, porque “o trunfo indispensável para educar os filhos, é o exemplo!”. SP: Aos 90 anos, não se cansa de dividir grande parte do que amealhou ao longo da vida. O que o faz agir assim? AR: A tendência começou na escola, quando tive de esperar um ano para poder fazer o exame da 4ª. classe. Nessa altura, era proibido fazê-lo antes dos dez anos e o meu professor e amigo sugeriu à minha família que continuasse na escola como seu coadjutor. Creio que aflorou, nesse tempo, a minha “vocação” para ajudar os outros, dentro das minhas possibilidades. Depois foi a iniciação na actividade comercial, ainda com 16 anos, e, aos 24, como industrial. Foi o tempo de lutar para vencer, embora sem esquecer o outro, e, quando em 1962 aceitei o lugar de vereador na Câmara de Águeda, vivi tempos felizes, porque pude dar verdadeira dimensão à palavra “servir”. Por estas razões, eu não corro agora, porque esta forma de olhar o mundo se tornou tão normal, como beber para matar a sede. SP: Como é que a sua família encara esta sua vontade de fazer bem, contribuindo para a felicidade dos outros? AR: A principal responsabilidade de pai é educar os filhos e, para atingir esse fim, o trunfo indispensável é o exemplo! E quando o exemplo é digno, normalmente, é bem aceite. SP: Tem uma noção aproximada da soma das doações que tem feito à cultura, ao desporto e à solidariedade do país? AR: Não é possível viver com dignidade sem organização e contabilidade, pois foram essas faltas que levaram Portugal à actual situação de vergonhosa dependência! E, porque considero que estas exigências devem ser completadas com a matemática, eu sei, e, por dignidade, não vou declarar a soma, mas sempre direi que os milhões se contam por vários dígitos. Porém, tão importante como a quantidade, é saber escolher o objectivo para a utilização do dinheiro. SP: Que diria seu pai, se fosse vivo, com esta sua forma de olhar a sociedade? AR: Tenho a certeza que ficaria imensamente feliz, pois enquanto viveu, algumas vezes eu quis que fosse ele o portador da benemerência, o que sempre fez com vontade e, às vezes, até com lágrimas de verdadeira emoção. SP: Qual foi o maior gesto de gratidão que recebeu no âmbito da benemerência que tem praticado? AR: Apesar da imoralidade ser a erva daninha mais semeada, sobretudo pela comunicação social e até por aquela que é paga com o nosso dinheiro, continuo a acreditar na gratidão e simbolizaria esse sentimento, neste gesto tão simples como sincero. Perdoei uma dívida de 130 mil euros a um homem que era sério, mas que morreu com a doença que não perdoa, e a sua viúva levou a minha casa, no dia do meu aniversário, uma rosa com um cartão que dizia “O símbolo da nossa eterna gratidão”. VER EDIÇÃO SP IMPRESSA
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