Mulheres
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Esta não pode ir sem “aviso prévio”, não vão as minhas companheiras de género caír-me em cima, ainda que virtualmente: a verdade é que eu acho o Dia da Mulher a coisa mais machista que há. Porquê o dia da Mulher?! Não é esta a naturalmente a metade da humanidade? Esta comemoração leva-me sempre à incómoda sensação de que a Mulher assim homenageada é aquele ser amorfo que, ainda num passado não muito remoto, se chamava fada do lar, formiguinha doméstica, mãe dos meus filhotes, tudo num sentido laudatório que punha a mulher num lugar de santificação subalterna. Com boa consciência para a outra metade se divertir com as que não estavam nesse catálogo… Na Antiguidade mais remota, chegou a duvidar-se se a mulher teria alma. Escapou a Cléopatra, que se não tinha alma tinha pelo menos espirito (e matéria…), não sei se me entendem?! Por tudo isto e pelo mais que não me apetece dizer, é que eu acho que o Dia da Mulher é machista, desculpa de mau pagador… Para mim, o Dia da Mãe, na sua generalidade, é que é verdadeiramente o Dia da Mulher! Sosseguem os quiçá injustamente visados homens, que quanto às mulheres, sobretudo quanto à exaltante feminilidade muito contemporânea, também há que se lhe diga. Estão a pôr a “aura” alta de mais e a levar a igualdade de género a patamares que nem o meu lado liberal consente. Ganha, aqui, a minha parte conservadora. A “aura” e o “patamar” têm correspondência na maneira de um certo visual. Não me canso de admirar - e admirar não tem, forçosamente, uma conotação positiva… - as mulheres em saltos de sapatos de 20 centímetros, apresentadoras, socialites, promotoras de eventos e conexas actividades, a parecerem empoleiradas em andas. Juntos aos homens com quem exercem a profissão, a superiodidade em altura física é notória, bem haja a moda do calçado. Nada contra, se conseguem aguentar as dores e deformações dos pés só que, estecticamente, o espectáculo é, pelo menos, desajustado. Lembra-me noutra dimensão, as mulheres-barbudas dos circos de há um século: não bate a bota com a perdigota. Também me não parece ajustado ver mães de família, embora belísismas balzaquianas, a ombrear com as filhas em saias pelos traseiros. Não é que a concorrência seja desleal, o que mostram não desmerece nada em comparação, só que, lá está, não vejo lógica no mostruário. A generosa amostragem da parte dianteira do tórax já me mão admira tanto: a adição de silicone não é baratinha e é natural que se exiba o investimento, tanto como se exibem brincos, pulseiras e colares de preços elevados. Nem todas podem, mas as que podem, exibem… E não é só nos peitinhos - o diminuitvo é uma delicadeza - é também nos lábios: há mulheres que parecem ter um bife permanentemente pendurado na boca! Lá está a minha parte conservadora que, estecticamente, pode ter a sua génese no meu pouco gosto por pinturas ou esculturas surrealistas. De resto, vivamos todas nós, mulheres, que, segundo dizem os homens, somos a parte mais perfeita da humanidades e eu desconfio que somos até a metade mais inteligente dela, pelo menos no que diz respeito à sua aplicação prática. E a que melhor se aguenta nos trancos e barrancos da vida!
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