Valongo do Vouga: A Escola Básica já é Secundária
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Parece que foi ontem que tudo começou, mas já lá vão 20 anos, que são 23, porque não podemos deixar de fora os tempos do partir da pedra, no pavilhão de madeira, no recreio da “primária”.
Estes 20, foram já no cheiro a novo da “escola inteligente” de Valongo, expoente da criatividade arquitectónica, das luzes que acendiam milagrosamente ao mais leve movimento, da luminosidade surripiada à natureza e sem custos acrescidos ao erário público, das aulas de educação física condicionadas pelas (in)disposições climatéricas… Já lá vão 20 anos, que são 23, mas será o tempo o elemento mais importante? Já dizia Fernando Pessoa: “O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. Pois, existem pessoas incomparáveis e as “escolas não são edifícios, nem paredes, são pessoas” e são as pessoas que fazem as escolas. Foram as pessoas que fizeram e fazem a nossa escola, todos os dias. Pessoas que já partiram, mas deixaram a sua marca nas gerações que moldaram. Pessoas que permanecem e teimam em construir um futuro que é de todos, remando muitas vezes arduamente na contracorrente e a recuperar energias no alimentar do(s) sonho(s)… Eles existem, desde a primeira hora: um pavilhão mais confiável do que as (in)disposições de S. Pedro, uma “Popoteca”, um pavilhão--oficina, o secundário. Sonhos feitos realidade, quase todos. O último ao dobrar da esquina, que a comunidade educativa deseja e merece e a região agradece. A escola (e o Agrupamento) já dispõe de um corpo docente que investe de forma clara na qualidade das aprendizagens dos seus alunos, com evidentes reflexos na evolução favorável dos resultados escolares. Esta realidade demonstra que existe uma vontade crescente de enriquecimento da oferta educativa, consubstanciada na diversificação de um conjunto de actividades que valorizam o sucesso escolar e o conhecimento, mas também o saber ser e estar, contribuindo, assim, de forma inequívoca para a formação integral dos alunos, procurando ajudá-los a assumir-se como verdadeiros cidadãos reflexivos, críticos, interventivos… E, deste modo, contribuindo para a melhoria do meio onde a escola se insere. É aqui que entra o último sonho, de 20 anos ou 23, se quisermos ser justos, a mudança da nossa escola para uma nova tipologia: Escola Básica e Secundária de Valongo do Vouga. A requalificação em curso cria transtornos, é certo, no normal funcionamento da escola, mas abre, inequivocamente uma nova janela de oportunidade para a materialização deste sonho. Dispondo já de um pavilhão--oficina para o ensino da mecânica num curso profissional a nível do ensino secundário, passará a dispor igualmente de uma cozinha para o desenvolvimento de competências na área de empregado de mesa, ao mesmo nível. Voltando a Pessoa: “Quando Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Nestes 20 anos, que são 23, muita coisa mudou na nossa terra, nas vidas das nossas gentes, dos nossos jovens, cada dia mais qualificados (alguns, que são muitos, injustamente desempregados), e a escola foi tendo a sua quota-parte de responsabilidade nesta mudança. A última, ao virar da esquina, poderá recolocar-nos de uma vez por todas no mapa das terras e das gentes com futuro. Não podemos virar a cara ao sonho… A. PORTELA DOS SANTOS Actual diretor e presidente da Comissão Instaladora da Escola C+S de Valongo do Vouga
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