Aleluia
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Era ainda muito cedo, Ou alta madrugada. E umas mulheres, ameaçadas pelo medo, Romperam, em grande segredo, Aquelas horas escuras. Com surpresa, carinho e compaixão Viram a pedra do túmulo retirada, E isso as fez testemunhas seguras Da Ressurreição.
O sepulcro, de verdade, estava vazio. Era um momento, deveras, sério E indescritível o mistério. Assim é para todos quantos, em desvario, Buscam, na materialidade do conforto, Como seu, um deus morto.
Num primeiro impulso de ardor, Sem saber bem como fazer, Põem-se a correr Porque a reaparição do Senhor Ninguém pode nem deve desconhecer.
Foi-se a noite e raiou novo dia. O Jesus está ressuscitado, A Vida cantou vitória, Na Graça se afogou o pecado, O Homem foi resgatado E poderá entrar na alegria Da Glória.
Um jardim, povoado de espinhos e cardos, Albergou, no silêncio das suas entranhas, Aquele que carregou em Si os fardos Das acções vãs e tacanhas De quem, chamado para amar, Preferiu simular De bem-querer suas sanhas. A Boa-Nova voou como o vento, Transformou corações endurecidos e duvidosos E muitos correram, ansiosos, A testemunhar o acontecimento. Tudo quanto restava de Quem morreu na Cruz, No alto do Calvário, Eram apenas as ligaduras e o Sudário, Como autênticos fachos de Luz, A iluminar todos os que, de séria vontade, Procuram possuir a Verdade.
Não mais procuraremos, junto dos mortos, Aquele que está, vivo, entre nós E, ouvindo, agora, Sua voz, Elevamos até Ele nossos olhos absortos Para cantarmos a grandeza da Salvação Que nos deu pela Ressurreição.
Aleluia! Cristo voltou à vida, O mundo mudou Porque Ele venceu a morte, Apontando outro norte Ao Homem a quem deu guarida E, desde sempre, amou.
(Domingo de Páscoa, Ano C – Jo.20,1-9, ou Lc.24, 1-12) n P. MANUEL ARMANDO
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