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Fundação Comendador Almeida Roque e Família

por António Silva em Maro 27,2013

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Almeida Roque nasceu em Águeda e por cá brincou, como qualquer garoto do seu tempo; por cá estudou, fez amigos e trabalhou desde bem cedo, e, à custa de insano trabalho, poupança e muito rigor, granjeou fortuna com que mais tarde viria a socorrer quem mais precisa.
Por cá constituiu a família, com quem partilha este dia memorável e que vai ficar na história de Agueda: Uma fundação!
E não é uma fundação qualquer, principalmente nos objectivos. É diferente de tudo o que conhecemos, por ser um misto cultural e social, a complementar a cruzada que encetou há muitas dezenas de anos:  uma espécie de epílogo, em que reúne todos os temas da grande sinfonia da sua vida!
Não haverá associação que tenha passado ao lado da sua generosidade, sem esquecer aqueles que, frequentemente, lhe batem à porta, encontrando aí um porto de abrigo ou, no mínimo, uma tábua de salvação no momento de infortúnio:
Um verdadeiro mecenas!
Também por isso, há alguns anos recebeu um justo título assinado pela chancelaria do Estado como reconhecimento do mérito industrial e agrícola.
Mas, apesar da pompa e circunstância de que se revestem coisas dessa índole, quase sempre com sabor político, faltou-lhe, contudo, a espontaneidade do acto, o conhecimento do proponente, a sinceridade genuína e o aval do povo. Aval que, só esse povo, na simplicidade da sua magnânima sabedoria lhe conferiu muito tempo antes, quando o intitulou “COMENDADOR DO POVO”
 E hoje este Homem, seguindo os caminhos da filantropia, entrega à sociedade onde nasceu e viveu, Águeda, uma fundação.
 São actos como este que contribuem para a dignificação da humanidade e auxiliam os que sofrem ajoujados às vicissitudes da vida e ao peso da cruz que o destino lhes impôs!
Eu não ficaria de bem com a minha consciência se deixasse passar este início de primavera sem lembrar os que se aproximam do outono da vida, e regozijar-me por tanta generosidade reveladora do altruísmo de uma família que, apesar de conhecermos bem e há muito, não se cansa de nos surpreender, sempre que a causa é suprimir carências àqueles a quem falta amparo, e aliviar o sofrimento do semelhante, amenizando-lhe o inverno da vida.
De há muitas décadas me ligam a esta família, laços de verdadeira amizade e sentimentos de perene lealdade, que jamais foram beliscados, porque nunca foi o interesse material, nem a conveniência, que deu tom à nossa convivência. Antes, a transparência, o respeito, a lealdade, a verdade!
Admiro e realço os que, tendo quase tudo na vida, não passam ao lado dos que têm apenas a misericórdia divina e a solidariedade dos homens de boa vontade. E há um ponto de encontro entre duas linhas, a justiça e solidariedade, que nos dá felicidade e tranquiliza a consciência.
Para lá dessas linhas, está a arrogância, a indiferença e o egoísmo que nos abre a autoestrada para a intranquilidade, a solidão, o abismo.
Esta família usa parte do pecúlio das suas economias para minimizar as angústias daqueles que ou caíram em desgraça ou o peso dos anos os obriga à dependência de lares de acolhimento. Lares que, de várias formas, têm tido, de há décadas, o entusiasmo do Comendador, beneficiando da ação mecenática desta família, traduzida não só em palavras de conforto, mas nos gordos cheques que chegam, frequentemente, às instituições onde encontram, quase sempre, os cofres vazios.
O exemplo do verdadeiro mecenato!
Para nós, amizade não é um sentimento vão, nem uma palavra oca. Amizade, nasce do conhecimento, cresce na convivência e alimenta-se de acções.
Amizade não se apregoa. Sente-se…, usa-se!
E nós temos partilhado a taça do melhor vinho e o cálice que transborda da maior amargura.
Perguntarão alguns de vós:  e de onde vem esta relação tão forte, se há tantas diferenças entre eles?
Na verdade, o senhor Comendador Almeida Roque nasceu em Barrô, eu nasci em Travassô 20 anos mais tarde. Logo, não é pela idade nem pela naturalidade, muito menos pelo estatuto económico! Mas há uma catadupa de razões que aconteceram ao longo da vida que levaram à admiração e ao respeito mútuo que existe entre nós.
Entre Travassô e Barrô, o espaço ao meio é Águeda e foi aí que nos encontrámos e onde, cada um com os seus métodos, virtudes, defeitos e entusiasmos, mas sempre com os mesmos objectivos, ”servir os outros”, fomos misturando sinergias “dinheiro e entusiasmo” que colocámos ao serviço da cultura e da solidariedade social da nossa região. Sempre de um lado o dinheiro do outro, o entusiasmo.
Recordo o prestimoso auxílio que deu às Bandas Filarmónicas do concelho e que, à falta de meios,  iam morrendo aos poucos. A desmoronação de algumas era evidente!
Lembro (como se isso fosse necessário?) o auxílio aos mais carenciados e protecção aos mais idosos e vulneráveis, onde centrou o seu principal empenho dos últimos tempos, no apoio aos jardins e lares, sem nunca descorar a cultura!
É este o Homem que, num acto de verdadeira e filantrópica humanidade, entrega hoje à Sociedade que o viu nascer e onde sempre viveu, Águeda, uma fundação que há de contribuir para a valorização de todos.
Apesar da enorme responsabilidade que hoje põem sobre os nossos ombros, esperamos não desiludir e responder, positivamente, às espectativas que a sociedade deposita em nós na orientação dos objectivos a que se propõe esta Fundação.
Honra-me estar ao vosso lado, para servir nesta cruzada de bem-fazer há muito encetada e que culminou nos acontecimentos do dia de hoje.  Oxalá eu esteja à altura de tanta confiança e da exigência do cargo!
Um obrigado a todos n a.a.silva
(Intervenção na cerimónia de constituição
notarial da Fundação Família Almeida Roque)


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