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Hortinhas de Águeda

por Luis Domingues em Maro 20,2013

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Que tarde entretida! A infeliz mensagem inaugural de Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal de Águeda (CMA), redondou num escarniçado desprezo pelos que perderam os seus empregos.
Por um lado, uma ligação despropositada com a depressão para um estudo universitário a decorrer em Aveiro e, por outro, uma vexante e comovedora alusão à afluência de desempregados ao evento que a CMA proporcionou para,  depois e imediatamente, perceber e referir que o desemprego era um flagelo. Ai este encanto com os números!
Podemos “ler” isto de duas formas. Primeiro, o desemprego em Águeda é assustador e atinge várias faixas etárias e com diversos graus de instrução. Segunda leitura, a de Gil Nadais, a quantidade de pessoas “interessadas” que foram assistir ao projecto piloto da edilidade. Foi um sucesso... Que VERGONHA!
Naquele momento, percebi que, muito provavelmente nos tempos seguintes, viria mais uma notícia nos jornais, meritória, sedenta de votos e repleta de sucesso: “Agricultura, semente da sutentabilidade”, audiência repleta de desafortunados e enganados. Sim, a parceria feita com o IEFP foi demais lucrativa.
Que pobre e desplicente exibição de carácter e fraqueza comovedora. Sinceramente, arrastar os desempregadados para uma iniciativa camarária reincidente, com o intuito de vender mais um projecto e comprar alguns votos. Agricultura ou hortas urbanas? Não se tratou de falar de possibilidades e pontos de saída destas situações indesejáveis e cada vez mais temidas. NÃO!
Não se tratou de puxar o tecido empresarial para a situação delicada dos desempregados. NÃO!
Não se tratou de fomentar a criação de micro-empresas e fundos de investimento ou procurar soluções. NÃO! O tema solene eram... as hortas! Não percebi. Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal de Águeda, falou de sustentabilidade, de quem? Dos desempregados que passariam a plantar couves e nabiças nos baldios aguedenses? Chegámos a um ponto em que o despudor e vergonha, a audaz desfaçatez, se despiram de rodeios e vibram nos cânticos políticos. Percebo, isso sim, da necessidade de uma regeneração dentro da CMA, para uma maior sustentabilidade do município.
Mais dois apontamentos merecedores deste imperioso festim: primeiro, seria de extrema infelicidade e no mínimo irónico ver um filho de Gil Nadais, num futuro próximo, ouvir falar de hortas e agricultura; segundo, ainda mais irónico seria ver, depois de decorridas as eleições autárquicas, o então ex-presidente da Câmara dirigir-se de bicicleta eléctrica num dos percursos de aventura, cicláveis, espalhados pela cidade, cultivar nabos nas hortinhas urbanas que apregoou.
n  LUÍS DOMINGUES

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