Rescaldo do Natal ou o... "burrinho" do Papa
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Disseram os latinos e eu aprendi e concordo: “Scripta manent, verba volant”. Para quem não sabe: “Os escritos permanecem, enquanto os discursos leva-os o vento”. É que as palavras escritas podem ser sempre consultadas para eliminar quaisquer dúvidas, fortalecer certezas e produzir firmeza nas afirmações. Já, de contrário, o que se diz pode entrar como mensagem distorcida, servindo apenas para confundir e difundir erros, calúnias, mexericos infundados ou gerar mentes farisaicas doentias e moribundas em grau muito avançado. E o autor ou o transmissor incauto de certas atoardas será um irresponsável pois pretende buscar conhecimentos em alguém desprovido da fonte fidedigna de verdade. A ciência, provinda do ouvido, (e há sempre quem se “cultive” só pelo que ouve) é uma força negativa que destrói tudo quanto outros procuraram construir ao deixarem disso o testemunho insofismável em letra de forma que só os míopes ignoram por não se darem ao trabalho de consultar e beber nos canais da verdade Os livros examinados ou lidos abrem-nos caminhos concretos para o conhecimento e opinião segura, porque neles compulsamos as nossas formas de pensar pelas dos outros e afinamos o senso comum. E se procuramos exibir o que esses opinaram, teremos de abrir as suas páginas para tudo imbuir na verdade total. O Papa não me constituiu seu defensor oficioso nem disso precisava, mas é meu elementar dever ser voz de testemunho do que nos moverá a todos na direcção de Jesus Cristo em Quem se espelha e é a Verdade. O “burrinho” do Papa tem dado que falar ou escrever. Não descortino de onde partiu a primeira pedra que pretendia atingir e estilhaçar as figuras dos animaizinhos do presépio, embora atirada à cabeça de um teólogo tão eminente como o é Bento XVI. Porque estávamos muito próximos do Natal, não foi nada difícil implementar acusações, aduzir comentários despropositados e lançar epítetos menos respeitosos sobre quem nos explanava, tão simples como profundamente, o nascimento e a infância daquele Jesus, enlevo de admiração dos pequenos e adultos. Para quem não leu (mas ousou reproduzir, com ares de grande sabença, aquilo que apenas ouviu e mal), sobre a inocência e poesia do presépio, aqui transcrevo a reflexão cordata que o Papa redigiu. Diz (ou escreve) ele: “A manjedoura faz pensar nos animais que encontram nela o seu alimento. Aqui, no Evangelho, não se fala de animais, mas a meditação guiada pela fé, lendo o Antigo e Novo Testamentos correlacionados, não tardou a preencher esta lacuna, reportando-se a Isaías 1,3: “O boi conhece o seu dono, e o jumento o estábulo do seus senhor; mas Israel, meu povo, nada entende”. (…) Portanto, na singular conexão entre Isaías 1,3; Habacuc 3,2; Êxodo 25,18-20 e a manjedoura, aparecem os dois animais como representação da humanidade, por si mesma desprovida de compreensão que, diante do Menino, diante da aparição humilde de Deus no estábulo, chega ao conhecimento e, na pobreza de tal nascimento, recebe a epifania que agora a todos ensina a ver. Bem depressa a iconografia cristã individuou este motivo. Nenhuma representação do presépio prescindirá do boi e do jumento.” (Joseph Ratzinger - Bento XVI, em JESUS DE NAZARÉ, A Infância de Jesus”, “Princípia Editora”, págs. 62-63). Estas palavras permanecem escritas e não foram somente ditas. Afinal, não é mal nenhum continuarmos a enriquecer o presépio com as tradicionais imagens da vaquinha e do burrinho. Esses são “imprescindíveis”. Os outros que não sabem ler ou se recusam a entender é que deverão ser banidos de cena. n Pe. MANUEL ARMANDO
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