A abrangência do brutal...
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Já passei por várias etapas em que a nossa Língua utilizava o objectivo supra-sumo do fixe actual: piramidal, bestial, fenomenal. Estamos agora pelo brutal... (colossal ainda se usa, mas só em discursos de ministros e outros políticos e, regra geral, no anúncio de catástrofes). Para a rapaziada que ainda não atravessou maus bocados na vida - E não me atrevo a qualificá-la... "o brutal!" adjectiva o equivalente ao que deve, por outras palavras, ter dito o Infante D. Henriques a Gil e Eanes quando este lhe anunciou, à enésima tentativa, ter passado o Cabo Bojador... Aí está uma palavra a exportar para o Brasil, onde se usa o ainda velho bacana, para que eles tenham por lá também uns ajustamentos... Que por isso nada fazem, quanto mais em entender-nos! Como já contei, tenho a minha neta a fazer parte do mestrado no Rio de Janeiro. Também já contei que nos correspondemos por carta, o que a ela não custa porque escreve bem e a mim agrada, sobremaneira, porque não sei comunicar verbalmente de outra forma. Não meto nisto o telemóvel, que para mim só serve para dar e receber recados. Quando aos domingos vou almoçar com a minha filha Paula, mãe daquele pedacinho do meu coração,vimo-la no Skipe (suponho que seja assim) ao vivo, a cores, em palavras, sorrisos, gestos ternurentos - "brutal!" Corro o risco de ficar mal-vista mas devo confessar que coisa assim até me parece bruxaria... Coisas deste meu analfabetismo electrónico! Um domingo destes, contou ela à família reunida terem ido uns tantos portugueses estudantes em acção de alfabetização numa favela que lhes foi indicada como tranquila. Lá chegados, calhou-lhe" o Augusto, garotinho de oito anos, a quem ela começou por iniciar a aprendizagem, falando da língua comum. Notando uma certa perplexidade da parte do "aluno", perguntou que Língua falava ele. Português! A resposta foi assertiva. Ora aí está, vês? Eu também me exprimo em Português! Pensam que o assunto ficou arrumado? Se ficou foi quando surgiu a resposta célere: Ué, tia! Então porque você fala tão esquisito?!...Quando ela vier aí pelo Natal, hei-de perguntar mais coisas... Por falar em esquisito: estou a perceber cada vez melhor a posição política da nossa esquerda pura e dura soviético-estalinista. Solução para o raio da crise: derrube do governo, executivo à esquerda lusitana, contando para o numerário preciso, com a adesão do PS (Soaristase outras aderentes, atrevo-me a especular), se este se comprometer a mandar a Troika às urtigas. Bem Bom! Brutal, quero eu dizer! n LUÍSA MELLO - 02-12-12
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