Dialéctica de trazer por casa
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“Estamos a ajustar contas com um passado que não resolvemos” n Vitor Bento - Economista Há já bastante tempo que ando a ouvir de gente por princípio razoavelmente informada - ou que julga que o está -, que até vai entendendo este fado dos desgraçadinhos que nos entrou pátria adentro nos dois últimos anos passados próximos, mas que grande parte dos compoatriotas o não compreenderá por deficiência explicativa do governo. Já fui da mesma opinião. Ainda estou ao meio da ponte, que é como dizem dos tolos: não sei se hei-de andar para trás, se para a frente. Quando me lembro dos seis anos socráticos ando decididamente para trás: foi cá um forrobodó de fartura, mesmo quando já se via o fundo ao tacho! (e para trás e para trás, que temos de ver as coisas...). Quando penso que a França - elle même! - jávai baixando nos negregados rankings, que a Alemanha - Deutche uber alls! - já não cresce como crescia e qualquer dia ainda cresce menos, que não há dinheiro para lhe comprar nada, que os países ricos do norte desta Europa desnorteada nos olham, a nós do sul, como sub-povos parasitas, ando para a frente e não vejo nada que me fizesse abandonar os anti-depressivos, caso os andasse a consumir. Quando nem para trás nem para a frente, “meto a cabeça na areia”, como já tive ocasião de lhes explicar. E contudo, após tanta discussão, tanta greve, tantos com muito e tantos sem nada, tantos opinantes e desopinantes, tanta lentidão na Justiça (ainda!), quando a Justiça devia ser um dos princípios básicos de todas as coisas, tanta burocracia - ainda!!! - tantas, desculpem lá o plebecísmo, chatices de todos os géneros, comecei finalmente a atingir um dos pontos desta péssima situação: estamos enfronhados numa dialéctica que é (explicitamente) a arte de argumentar ou discutir, o que à primeira vista parece simples mas não promete resultados próximos. Eu poria assim o diálogo político - descartando já os motivos que lhe deram causa. Uns: não temos margem para modificar o “stato-quo” porque devemos muito e não HÁ DINHEIRO! Outros: SE NÃO HÁ DINHEIRO, não se paga! E a cantilena prossegue e prossegue: “Não há dinheiro/não se paga!... Nesta jiga-joga, não sei onde meter o PS que, por ter o cartório muito sujo, não pode jogar ao ataque tanto como queria. A mim, sempre me ensinaram que dever é compromisso, pagar é honra. Se há usurários pelo meio, e acho que há, devíamos ter ido bater a outra porta (já que pela enésima vez, a contenção foi nula...), mas qual? O tempo da conquista de Ceuta, das economias proporcionadas pelos Descobrimentos, da matéria-prima barata das colónias, podemos considerá-lo na Antiguidade, que essas portas fecharam, e, valha a verdade, nem sempre se abriram para os melhores lados. Empobrecer, é um termo duríssimo. Ver empobrecer - mais ainda! - quem pobre já era, deveria destruir as consciências de quem as tiver e deixar um traço forte de amargura aos que à consciência nada devem. Caridade, solidariedade, boa-vontade, são precisos mais que nunca, se é que, ao fim e ao cabo, não coincidem no socorro aos mais pobres dos pobres. Quanto à dialética do não há/não se paga!, pergunto eu: neste último caso, quem nos paga a nós o que pouco, ou melhorzinho, vamos tendo certo no fim do mês? l E agora falando de mim, euzinha, e da minha “dialética” com o Governo, com o qual não tenho qualquer compromisso, sou antes credora. A descontar, e em largas fatias, durante trinta e quatro anos de trabalho, já não vejo a pensão apenas congelada, fossilizada mesmo pelo tempo, se não a vir sucessivamente a encolher. Temo que me façam as contas pelo ordenado mínimo, para que me deixem a reforma em paz! Como diria Orwell: Será que os pensionistas são ainda “mais iguais” que os outros?!... n LUÍSA MELLO - 26-11-12
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