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O Natal no ano da fé

por Padre Manuel Armando em Dezembro 05,2012

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“E o Verbo se fez homem e habitou entre nós, e nós vimos a sua glória, glória que lhe vem do Pai, como Filho único cheio de graça e verdade” (Jo.1,14).
“Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” (Jo.1,11).
Viver a incarnação de Deus é um imperativo da fé. Na verdade, não acreditando, os corações continuam a fechar-se diante de quaisquer comunicações ainda que elas venham do Alto. O mistério da bondade divina permanece aberto para quantos, de boa vontade, procuram entender e aceitar que Ele não veio usurpar nada mas entrou no que lhe pertencia, embora os seus não O reconhecessem.
Contudo, todos quantos franquearam as portas das suas pessoas e assumiram a mensagem e o Mensageiro, Deus deu-lhes a cumplicidade de se tornarem Seus filhos, nascidos não das forças da carne nem da vontade dos homens, mas de Deus.O encontro aconteceu. O Homem, pecador na sua natureza, embateu na abundância da graça redentora e transportadora da capacidade e abertura ao Amor de Salvação.
Em cada parcela da História que transcorre, há sempre um profundo apelo à descoberta do plano salvífico que o Criador prometeu e consolidou na plenitude dos tempos, quando Ele mesmo Se fez um de nós no meio deste mundo de trabalhos e tormentas que se apoia na esperança de tornar-se melhor e mais activo pela vivência e testemunho.
Aquele nascimento, anunciado e prodigioso, é acontecimento único e magnificente de todos os dias. Basta cada pessoa abrir os olhos e o coração aos que a rodeiam porque chamados, também eles, a serem parte integrante desta suprema comunidade dos resgatados.
É imperioso atender à Palavra de Deus, tornada carne visível, para se processar uma verdadeira conversão de vida de maneira a que a caridade possa ser mola motora nas transformações íntimas.
Foi proclamado um “Ano da Fé”. Trata-se, tão-somente, de um tempo abundante espiritualmente “para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver”… “Desejamos que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé, plenamente e com renovada convicção, confiança e esperança. Será também uma ocasião propícia para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia que é “a meta para onde se encaminha a acção da Igreja e a fonte donde promana toda a sua força”…
Que o testemunho de vida dos crentes cresça em credibilidade. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, vivida e rezada, e reflectir o próprio acto com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir” (Bento XVI, em A Porta da Fé).
Se a história da nossa fé se faz vivendo o mistério insondável da santidade interligada com o pecado, podemos tentar entender e acatar a revivência do Natal. O Verbo de Deus incarnou por causa da existência do não, proferido pelos humanos contra um convite para a felicidade plena. Cristo fez-Se um de nós e assim abriu as portas conducentes ao convívio do Pai com Quem a vida conhecerá o sentido completo e último.
Em cada ano o mundo cristão actualiza, celebrando, Deus nascido como Homem, Luz de todos e para todos, esperança dos pusilânimes e desnorteados, amor e doação para os desprotegidos, força e certeza para quem acredita numa consciência firme.
O Natal é bem a ocasião de revigorarmos o nosso “Creio em um só Deus Pai Todo-Poderoso… Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus… Creio no Espírito Santo que com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.
n Pe.  MANUEL ARMANDO

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