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Águeda: José Júlio Ribeiro na toponímia de Águeda

por César Marques em Novembro 22,2012

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Parece que foi ontem, mas já se passaram três anos sobre a morte de um ilustre aguedense, político e autarca: José Júlio Ribeiro.

Esquecido por muito boa gente de Águeda, continua bem vivo na saudade e nos exemplos, pois o homem foi mas a obra ficou. Pena é que, ao fim de três anos, não haja um largo, uma praça, uma rua, que perpectue a sua marcante passagem por Águeda, que tanto amou, se interessou e defendeu. Julgamos já ser tempo para se criar um movimento cívico, ou político, para perpectuar este ilustre cidadão.
O QUE FEZ? Águeda é madrasta dos seus filhos. Alguns procurarão o que fez José Júlio pela sua terra? Responderemos que muito. Outros, por muito menos, foram lembrados e este cidadão bem o merece, não só pelo que fez pela sua terra e pela região, mas também pelo país.
A Região Demarcada da Bairrada, como produtora de vinhos com denominação de origem a ele se deve. Se dúvidas houver, em 1972, como assessor do Ministro da Agricultura, elaborou o trabalho que serviu de base à sua oficialização.
Entre 1960 e 1965, criou o primeiro Centro de Gestão de Exploração Agrícola da Beira Litoral, com áreas de influência nos concelhos de Estarreja, Murtosa e Ovar e,  numa segunda fase, foi técnico coordenador dos entretanto criados Centros de Gestão de Águeda, Anadia, Oliveira do Bairro, Cantanhede, Mira e Vagos. Pelo país foi, de Julho de 1982 a Julho de 1984, presidente do Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo - o INSCOOP.
FUNÇÕES: Continuando o que fez pelo país, desempenhou variadas funções de grande relevância: assistente de investigação do Centro de Estudos de Economia Agrária da Fundação Calouste Gulbenkian; membro da Delegação Parlamentar, que analisou no terreno a situação existente na Zona de Intervenção da Reforma Agrária (ZIRA); apresentação (1977) à Assembleia da República da proposta da construção de uma via rápida entre o porto de Aveiro e Vilar Formoso, o IP5, atualmente denominada A25.
Além de artigos publicados na imprensa, de âmbito regional e nacional, publicou, entre outros, os seguintes trabalhos: “A animação das comunidades camponesas e a gestão simplificada” (edição da Fundação Calouste Gulbenkian) e “a Bairrada na Assembleia da República”. Teve diversas intervenções no continente e  Açores sobre a temática agrária e do cooperativismo, no âmbito da Aliança Cooperativa Internacional. Foi vice-presidente da Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas, vice-presidente da Direção do Grupo Parlamentar do PPD/PSD e membro da Delegação Parlamentar que, em Haia, participou num seminário sobre a integração de Portugal da CEE.
Foi o primeiro presidente da Câmara Municipal de Águeda, eleito após o 25 de Abril. Foi membro do Conselho de Curadores da Delegação de Águeda da Cruz Vermelha; participante na Fundação do Núcleo Concelhio do PPD/PSD e na campanha eleitoral para a Assembleia Constituinte.
- Ano de 1976: Segundo candidato do PPD na lista pelo Círculo de Aveiro, sendo eleito à primeira legislatura da Assembleia da República.
- 1982: Candidato mais votado como cabeça de lista à presidência da Assembleia Municipal de Águeda, nas eleições autárquicas.
- 1991: Eleito deputado pelo Círculo de Aveiro.
-1995: Eleito, em Dezembro, presidente da Câmara Municipal de Águeda e reeleito em Dezembro de 1989, preocupando-se menos com obras e mais com as finanças, daí talvez a sua pouca visibilidade.
Não foi um ilustre tribuno, mas um ilustre aguedense.  Talvez pela sua pacatez, não seja suficientemente conhecido dos aguedenses, mas a sua obra e postura, como homem dedicado à sua terra, não deixa qualquer dúvida, para quem o conheceu.
Foi no seu mandato que se constituiu o Gabinete de Urbanização, se contratou a equipa técnica e determinou a execução do primeiro Plano Diretor Municipal, que foi dos primeiros aprovados no país.
Implementou o programa de protecção de defesa da floresta contra incêndios, pedindo a colaboração técnica e financeira da Comunidade Europeia.
Definiu o programa de despoluição do rio Águeda, pateira e ria de Aveiro e despejos pesados provenientes das indústrias regionais.
Este, é o ilustre cidadão aguedense que muitos pensam nada ter feito pela sua terra.


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