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Querida Isabel

por Luísa Mello em Novembro 21,2012

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Querida Isabel:
Não tenho o gosto de a conhecer pessoalmente, mas conheço-a bem através da magnífica obra a que de há anos para cá meteu ombros e que, se calhar para alguns mais abonados, não passa de fogo de vista, caridadezinha beata, ditadura do “tomem lá e calem-se!...
Inserida eu, quem sabe, em tão "vergonhosos" deméritos, lembro, mais que nunca, que dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nús, assistir aos enfermos e outras especificidades do viver menos comum - como visitar os presos, dar pousada aos peregrinos e enterrar os mortos -, é todo um programa político-social que corresponde às chamadas obras de misericórdia da Igreja Católica, a que tenho a graça de pertencer. De certo, imbuída neste espírito, que a Isabel pratica muito melhor que eu e, quiçá, que muitíssimos dos seus delatores, é que lhe caiu por cima uma tromba de água de dislates interpretativos da sua nobre actividade. Gente que não pode ouvir falar de catolicismo, de obras de misericórdia (misericórdia! Que palavrão reaccionário! - calculo que pensem...) em caridade - outra palavra execrável!... S. Francisco de Assis, S. João de Brito, S. João de Deus S. Martinho de Dume, os nossos comtemporâneos Padre Américo e Madre Teresa de Calcutá, devem estar na lista negra de muitas cartilhas republicanas e laicas! Li, a seu respeito, Isabel, as coisas mais espantosas, pelo menos para a minha tacanhez, atreita a louvar as obras de misericórdia acima citadas. Da senhora Raquel Varela: “As tropas de famintos são uma mina de ouro para as instituições que vivem à sombra do Estado a gerir a caridade (...) São canalizadas para instituições dirigidas sobretudo pela Igreja Católica (caridade). A solidariedade é de todos, a caridade usa a fome como arma política”. Temos a Inquisição ao contrário?!!! Do “Movimento para o Emprego” fala-lhe um grupo de pessoas que “se empenha quotidianamente contra quem, como a senhora (...), insiste em mascarar de caridade o saque que estão a fazer às nossas vidas”.
Está visto que a caridade passou a palavrão!
Estou possívelmente muito enganada, mas a caridade, que vem do latim cordis - coração - e aparece nos dicionários como ternura, amor, afeição, é sentimento que nos vem mais do íntimo, enquanto solidariedade - do latim solidare - significa partes ou elementos de um todo que liga coisas e pessoas ou que partilha com os outros direitos e obrigações (...) numa interdependência de interesses”. (Dicionário Porto Editora).
Coisa absolutamente estimável e desejável em qualquer sociedade, mas se, mais abrangente, menos “aconchegante”, humanamente falando.
Se estou a asnear, “mea culpa”, já que trouxe o latim à baila. As palavras que a Isabel não se coibiu de exprimir, a propósito deste específico momento em que caridade, solidariedade e amor ao próximo desprotegido, não são, infelizmente, cabalmente suficientes, e lhe fizeram cair em cima a indignada reprovação de indignados intelectuais, que não tanto de indignados famintos, são, esteja descansada, na opinião de muitíssimos, não só minha, absolutamente sensatas e adequadas. Dizer que “os portugueses vão aprender a viver com menos”. Que “se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não os podemos comer todos os dias”, que “há um real empobrecimento mas, sobretudo, pensávamos que poderíamos viver melhor e que alguém havia de pagar, mas deixou de poder ser assim”, são evidências tão óbvias como a descoberta da Lei da Gravidade, que Newton explicou quando lhe caiu uma maçã na cabeça vinda do cimo da respectiva árvore...
Já todos vivemos com mais, já “alguém” pagou por nós os empréstimos necessários a esses MAIS; já se comeram, porventura, bifes todos os dias em casas, restaurantes e  anexos. O que, no caso, até nem foi saudável porque, como ouvi uma vez de um nutricionista, mesa demasiado farta não leva a comer bem mas, em muitos casos, a cavar a sepultura à dentada. (Respostas aos indignados com as carências alimentares das crianças: proteínas também as há nos ovos e em toda a espécie de carne vermelha, menos chique e dispendiosa que os bifes!...). Pois então, querida Isabel, continue com a sua actividade caridosa, solidária, compassiva, de serviço público, mesmo sendo privada”. "Por bem fazer mal haver”, é facto que já vem longe...
Um forte abraço!


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