Espinhel: Toda a gente contra anexação a Recardães
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A Assembleia de Freguesia de Espinhel reuniu extraordinariamente na noite de 23 de Outubro, para analisar a anunciada integração na freguesia de Recardães. E corre um abaixo- -assinado por todos os lugares, opondo-se ao processo. “O sentido de rejeição é absoluto”, disse Manuel Campos, o presidente da Junta de Freguesia.
Os trabalhos decorreram já depois do fecho desta edição (3ª.-feira) e na presença de Armando Vieira, presidente da Associação Nacional das Freguesias (ANAFRE) e da Junta de Freguesia da Oliveirinha. A convocação decorreu de uma reunião organizada por um grupo de populares, na noite de 17 de Outubro último, participada por meia centena de pessoas de todos os lugares da freguesia - Casal de Álvaro, Casaínho de Baixo, Espinhel, Oronhe, Paradela e Piedade -, unânimes na “rejeição total à anexação”.
Política baixa
Antigos e actuais autarcas, de várias correntes partidárias - António F. Marques, Joaquim Estima, Hernâni Neves, José Américo, por exemplo, e outros - por uma vez estiveram de acordo e não esconderam a sua rejeição à proposta do PSD e do CDS/PP, aprovada na Assembleia Municipal de Águeda - que integra Espinhel na freguesia de Recardães. “Nada disto é para nos servir, mas para se servirem de nós. E Recardães já se serviu quando conseguiu o posto médico, através de manobras de política baixa”, disse Manuel Campos, frisando que “subjacente a tudo isto, vem todo o resto, é uma provocação”. O presidente da JFE considerou que a proposta do PSD e do CDS/PP “foi um arranjinho sectário e uma protecção descarada a algumas freguesias com presidências do PSD e do CDS, desconsiderando o património histórico, cultural, territorial e sócio-político da freguesia de Espinhel”. E isso, acrescentou o autarca, “isso não toleramos”. “Além de desconsideração, é uma violenta agressão à identidade de Espinhel e aos espinhelenses”, disse o autarca.
Influências políticas
Hernâni Neves, de Casal de Álvaro, já foi secretário de um executivo da JFE e é literalmente contra a anexação. “Sem dúvidas, não faz qualquer sentido. Isto só acontece porque houve influências políticas que não levaram em conta as realidades locais. Não aceitamos a anexação. Nunca”, disse a SP. E anexação com Ois da Ribeira? “É muito mais provável, faz todo o sentido. O mesmo poderia eu dizer de Casal de Álvaro e Oronhe se integrarem com Travassô. Com Recardães, é que não e tudo faremos para evitar a anexação”, disse Hernâmi Neves.
Uma barbaridade
José Américo Andrade, actual eleito do PS, também se opõe “a esta barbaridade que querem fazer a Espinhel”. “É lamentável o que fizeram, sem ouvirem os órgãos autárquicos, usando-os como quiseram, foi um evidente conluio entre o PSD e o CDS/PP, que beneficiaram as suas freguesias”, disse o líder do PS local, que neste mandato já foi presidente da Assembleia de Freguesia e, ouvido por SP, acrescentou que “a classe política foi hábil a fazer manobras de última de hora, com um notável jogo de cintura”. No mínimo, disse José Américo Andrade, “deveriam ouvir os órgãos autárquicos”. “É lamentável, os serviços que as Juntas prestam, já de si deficientes, por falta de meios, vão piorar. Pior que isso, abriram-se feridas entre as freguesias e as populações. Vamos lutar contra a integração”, disse a SP. António Fonseca Marques (PS) também já liderou a Assembleia de Freguesia de Espinhel e disse a SP que “Espinhel só tem a perder com anexação”. E “não tem a ganhar nada”. “Não há esclarecimento nenhum sobre quaisquer benefícios que tenhamos com a anexação, anexação a uma freguesia maior, com mais gente e com a sede lá, nada temos a ganhar”, frisou António Marques. O ex-PAF espinhelense considerou ainda que “não querendo a anexação, nem a Assembleia de Freguesia, nem a Junta de Freguesia, nem a população, o que pretendem fazer só pode ser combatido e nunca aceite por Espinhel”.
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