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Questão de coerência

por José Neves em Outubro 17,2012

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A reorganização administrativa do país, no que respeita às freguesias e a obrigação política das instituições portuguesas em levá-la a cabo, não caiu do céu, mas decorre, como se sabe, do contrato político e condição sine qua non, subjacente ao empréstimo externo de 78 mil milhões de euros, a que se viu obrigado o Estado Português, numa situação de pré-bancarrota nacional e assinado por José Sócrates, à altura 1º. Ministro  de um governo socialista.
E não sendo nova, no país, a discussão do número de freguesias - Lisboa, por exemplo, aprovou na sua Assembleia Municipal e muito antes da troika, um novo mapa do seu concelho -, a própria dinâmica das comunidades justificaria que regularmente se discutissem as instituições, os espaços geográficos em que se movimentam,  tendo sempre por objectivo a boa utilização dos recursos públicos e a melhoria permanente das soluções, na resolução dos problemas da comunidade.
Neste quadro de discussão, seja por obrigação externa (troika), seja por razões objectivas do estado actual das freguesias do país, o poder local e os seus órgãos eleitos não devem, em coerência, abster-se de sobre o assunto tomar posição, abandonando sem uma palavra, a favor ou contra, os seus conterrâneos e neste caso também as Juntas de Freguesia.
A Câmara de Águeda absteve-se, lavando as mãos como Pilatos, deste julgamento autárquico!
Mas fez mal. Diz-se por aí que a proximidade das eleições autárquicas, já no próximo ano, foi a razão que mais pesou no prato da sua balança.
Ora, esta matemática “calculista” está errada: por uma questão de coerência política, quem sabe ser líder nunca abandona o seu Povo e quanto maior é o desafio, mais próximo deve estar junto a ele!
Caso contrário, pode concluir-se que nem sempre os eleitos nos assistem quando, na hora da verdade, mais  precisamos deles!
Estuda muito, Beatriz! n JNS

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