A pateira de Fermentelos
A “pateira de Fermentelos”, também chamada de Ois da Ribeira, Espinhel ou Requeixo, é uma zona única na região centro pela sua riqueza natural e as suas enormes potencialidades, que, infelizmente, estão ainda muito por explorar. Terra de gente empreendedora, na agricultura, no comércio e na indústria, tem na emigração largos e profícuos destinos de vida, lembrados aos vindouros no singular monumento ao emigrante, obra concretizada já depois do 25 de Abril pela saudosa e agora renascida “Associação“, com digna comemoração a 25 de Agosto. Infelizmente, nem sempre a política autárquica e nacional tem prestado atenção aos dossiers que há dezenas de anos estão “em cima da mesa dos gabinetes“, capazes de catapultar a pateira e as suas condições, para o turismo e o desporto náutico, este ainda e recentemente a merecer a atletas portugueses medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres. Passada que foi, há sete anos e com a chegada do PS à Câmara de Águeda, a euforia da compra no estrangeiro da célebre ceifeira, equipamento que deu um pontapé de saída na limpeza dos “jacintos” e muitos aplauso das gentes ribeirinhas, a verdade é que parecem adormecidas e na gaveta outras promessas feitas, pela autarquia e organismos regionais, quanto à canalização de verbas comunitárias: O célebre “fluviário”, a ligação à capital aveirense e a hipótese de uma pista internacional de remo e canoagem, estrutura atractiva para estas importantes modalidades, cada vez mais na berlinda nas movimentações de massas e da juventude dos países com ligação ao mar. Dizem autarcas ribeirinhos que até as “migalhas” prometidas pela AdRA para limpeza de áreas ainda afectadas pelos “jacintos”, só foram pagas em 2010. Por outro lado, a Polis da Ria de Aveiro e a Águas da Região de Aveiro não estão a cumprir o quadro de investimentos prometido para a região. Era assim importante que a política aguedense e a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), para além das “entrevistas” e costumeiras declarações públicas, tantas vezes para inglês vêr, afirmassem a sua determinação em não deixar protelar para a eternidade o que devia estar feito, a funcionar e com as verbas comunitárias do QREN aplicadas. É uma pena este quadro da pateira de Fermentelos a 25 de Agosto de 2012: dotado por Deus e pela Natureza, mas tão pobremente aproveitado pela mão do homem e da sua política! Que contradição esta, quando comparada com aquela frase, esculpida na escadaria de acesso à escultura em homenagem ao emigrante, na Pateira, onde o poeta testemunha “e o teu braço deu novos mundos ao mundo”. Será que a política tem que emigrar, Beatriz?
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