Cultura: Mostra Serrana em Terras do Ceira
O Grupo de Folclore da Casa de Povo de Ceira (Coimbra) organizou um colóquio/debate sobre o tema “Defender as tradições, com a dignificação do folclore” e Os Serranos demonstraram como se pode conciliar estes dois aspectos, através da arte do espectáculo.
O colóquio, a 5 de Maio, juntou mais de uma centena de folcloristas da região de Coimbra e começou com Manuel Farias (a abrir o tema), seguindo-se Lopes Pires (presidente da AG da Federação do Folclore Português), António Gabriel (vice-presidente da federação) e Liliana Tavares (responsável técnica do Grupo Folclore do Mundão, de Viseu). A proposta inicial de “desarranchar o folclore”, feita por Manuel Farias, foi desenvolvida e aprofundada pelos restantes oradores, imediatamente antes da apresentação do espectáculo ACHEGANÇAS, de Os Serranos. “Acheganças”, na terminoliga serrana, é o modo de designar tudo o que veio de fora. Sendo o folclore serrano de natureza particularmente endógena, devido ao isolamento e à auto-suficiência comunitária das suas aldeias, as situações em que as influências externas foram recebidas e adoptadas constituem particularidades que a investigação etnóloga revela. No século XIX chegaram danças palacianas que as migrações e o contacto com invasores trouxeram, tal como polcas, mazurcas e pas-de-quatre. Mas também chegaram outras expressões, tal como a cantiga ao desafio ao ritmo do fado, algumas cantigas romeiras e a mudança de comportamentos com a implantação da república. Nos instrumentos musicais, chegaram concertinas e acordeões, já no século XX e mataram o papel secular das gaitas de foles e dos cordofones. O debate, no final do espectáculo, deixou a garantia de que há um movimento que cresce dentro do folclore português, que procura a dignificação e se afasta cada vez mais do “rancho”, sabendo que os caminhos para a dignidade passam pela formação, exigem estudo, método e não dispensam a literacia consciente dos seus intervenientes.
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