Águeda: Mexia na Adolfo Portela no "Chá com Letras"
O Chá com Letras, iniciativa da Biblioteca da Escola Secundária Adolfo Portela, conseguiu, a 27 de Janeiro e dois anos depois do início, como sempre e sempre contracorrente, contornar o óbvio, suspender o curso inexorável do tempo e viver em vida os instantes, todos os que se puderam, junto ao mar. Agora com Pedro Mexia.
A voz segura da Marta deu o mote, interpretando «Eu sei», da Sara Tavares; e, depois, outras vozes, a da Carla, da Marta, outra vez, do Nuno, da Ana Luísa, de alguns professores e amigos de sempre, para sempre, disseram poesia escolhida e monólogos roubados de Pedro Mexia, que, logo a seguir, disse por que escreve, sobretudo por que escreve poesia e do que esta faz e lhe faz. Depois, no tom que o Pedro prefere, o da ironia sem azedume, disse que o poeta é o mais livre de todos, que está em todas as letras e em todos os versos, e que abre gavetas para soltar paráfrases e expurgar demónios. Finalmente e para terminar o elogio de uma arte ridícula, a poesia, qual peixe das profundezas e águia das alturas, o Pedro, um animal mitológico, disse, na primeira pessoa, Paolo e Francesca, um poema sobre um amor confessável, nada intransitivo, sério, mas não trágico, escolhido de entre todos os outros que não hesitou em renegar. Já perto do fim, antes do chá a sério, a propósito da filiação anglo-saxónica do Pedro, foi a vez do Eduardo, um inesperado, mas bravo, defensor do romantismo alemão, fechar esta picolla viagem de inverno, interpretando Gute Nacht, de Schubert. n VITOR OLIVEIRA
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