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Os sinais que nos identificam

por Manuel Armando (Padre) em Novembro 23,2011

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Não sei bem porquê, mas é certo que, sempre, me encrespei com determinadas maneiras como são promovidos alguns produtos, vendas, cargos, desportos, eventos culturais e recreativos e mais uma infinidade de coisas, incluindo pessoas nas suas actuações ou capacidades particulares artísticas ou de simples divertimento.
Em todos os cantos e esquinas, nas paredes e muros, jornais e revistas, nos panfletos que entram por baixo da nossa porta e nos instrumentos de escrever, adornando recintos desportivos e dentro das inúmeras repartições públicas, estendendo-se até onde os nossos olhos possam enxergar algo, lá está, bem saliente, tudo quanto alguém deseja ver descoberto e depois comprado, senão, seguido.
Também os supermercados e empresas utilizam invólucros plásticos, ou de papel, onde se exibem a gravação dos nomes, as propriedades da matéria vendida, a casa de origem.
Pessoalmente, recuso-me comprar qualquer peça de vestuário onde estejam impressas inscrições ou sinais de marca com patente que vão tornar o preço muito mais elevado pois, assim, se subentende pagar o material, a obra e o nome. Não sustento, por isso, intenção de me assemelhar ao autocarro com publicidade na chaparia. E, convenhamos, ninguém me iria pagar para servir, deste modo, tal negócio.
Bem sei que alguma juventude (e não só) alinha, entusiasmada, no transporte de roupa sinalizada com os mais diversos motivos estampados. Também isso não lhes carregará muito, nem fará arquear as costas.
Mas não posso nem devo esquecer aquelas frases vivas e atraentes, gravadas nas t-shirts (sobremaneira as usadas por meninas), que são provocatórias ou atentatórias à própria dignidade de quem as veste e que, por vezes, constituem autênticos dislates.
Estou em crer, todavia, que tudo isso significa apenas ostentar-se um qualquer emblema clubista desportivo ou político. E nada a opor, pois cada pessoa é livre de levar aos ombros aquilo em que acredita e pretende.
Ora, agora, reflicto: - Mesmo, nós todos trazemos uma chancela indelével mas, nem sempre, a pomos em destaque. Ela não se mostra a si mesma; somente se descobrirá mediante obras visíveis.
Na verdade, se houvesse empenho e ardor para exteriorizarmos a marca por que somos assinalados, faríamos uma festa de cor e luz.
É que trazemos, não às costas, mas no coração e na alma, o selo da imagem e semelhança de Deus que nos faz emergir sobre toda a criação.
O Espírito gravou em nós, pelo Baptismo, o sinal da fé para a vida eterna (Ef.1,13-14 ou 2Cor.1,21-22).
Conscientes desta prerrogativa, e sem vergonha, haveremos de inventar formas para envergar uma roupagem que identifique quem somos, os nossos entusiasmos ou filiações enobrecedoras, porquanto as possamos, ainda, engalanar com legendas da Palavra de Deus.
n PE. MANUEL ARMANDO


                                                                             

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