Cultura: Cantate Iubilo em Toulouse
O Coral Polifónico Cantate Iubilo deslocou-se a Toulouse, onde participou no 9º. Encontro Coral do Ensemble Vocal Souffle des Ondes, a 25 de Junho e numa igreja protestante – o Temple du Salin.
O coro barroense e acompanhantes – entre eles, presidente e secretário da Junta de Freguesia – foram alojados no Centre d’Éducation Populaire et Sport. As boas-vindas foram com música, boa parte do Petit Choeur, de Isabelle Rama. n INTERCÂMBIO: A comitiva foi guiada pela cidade cor-de-rosa - nome dado à grande capital do Midi-Pyrenées, pelas construções em pedra e tijolo de cor rosada -, desde a vasta praça do Capitole, até à ópera e Paços do Concelho Os autarcas de Toulouse e de Barrô sublinharam a satisfação mútua pelo intercâmbio cultural e Wilson Gaio protestou “admiração, entusiasmo e orgulho” por estar naquela Câmara. Passou-se ao Théâtre du Capitole, o segundo edifício francês mais importante dedicado à ópera e ao ballet, com sala em forma de ferradura (à italiana) e uma acústica das mais consideradas mundialmente. O Cantate subiu ao palco e experimentou, atónito, as incomparáveis condições acústicas do mítico lugar. O sábado foi tomado por Moissac (nas margens do rio Garonne), célebre pelo Claustro e 76 capitéis da Abadia de S. Pedro. Nesta vila, mais uma vez se fez música. Publicamente. No palco diante de Câmara, o coro de Barrô, sozinho ou em fusão luso-tolosana, cantou Amália, cantou Lisboa, Águeda, Verdi. Para uma assistência em que pontificavam eleitos locais, nomeadamente a representante da Associação Portuguesa de Moissac, a quem Wilson Gaio estendeu o afectuoso abraço conterrâneo e uma lembrança de Barrô. n CONCERTO: Sábado, foi o 9º. Encontro Coral do Ensemble Choral Souffle des Ondes - em honra do Cantate Iubilo, «que se deslocou de Barrô de propósito» - na 2ª. volta do intercâmbio que aqui começou, em Julho de 2010. Intervieram o Petit Choeur des Ondes, dirigido por Isabelle Rama. Esmagador! Seguiu-se o violinista Jérôme Foucault, magnífico - acompanhado pela pianista por Svetlana Legros. E, para deslumbramento maior, a cantora lírica Isabelle Rama interpretou o IV Andamento (Dvorak) e Merce Dilette Amiche (Verdi). Que voz! Que delírio na assistência! Uma bênção, um privilégio estar ali! O Ensemble Vocal Souffle des Ondes, dirigido por Jérôme Foucault (o violinista), foi assombroso, com temas eruditos, sacros ou populares, em francês, latim, russo, espanhol e… português! Sim, português… e de Águeda. E meritoriamente escolhido para fechar o concerto. A cereja em cima do bolo… era «O Meu Bandolim», do aguedense Chula! O “Chula D’Agueda” – como vinha escrito nos programas de sala, insistente e imperturbável perante a incredulidade dos nossos olhos. Para surpresa, gáudio e deslumbrado encanto lusitano, o grande maestro Jérôme Foucault e a sua equipa tinham lido o Florilégio Coral, recolhido por Amílcar Morais e editado com colaboração da Câmara Municipal - obra oferecida ao coral gaulês na sua passagem por Barrô, no concerto Sons de Verão 2010, do Cantate. De lá pescaram, aquele tema luso - que apresentaram harmonizado ao seu jeito e arte – capazes de arrancar lágrimas à trupe barroense e de fazer delirar a assistência! Parabéns, Chula! (e um louvor à sensibilidade e denodado esforço de recolha de Amílcar Morais, bem como à Câmara, atenta, que o percebeu). O Coral Polifónico Cantate Iubilo actuou em segundo lugar neste grandiosíssimo concerto. Digno no seu escalão, mas consciente do seu lugar e papel num meio tão elevado de valores e virtuosidade. Trémulo, mas corajoso. Sabendo-se co-vencedor antecipado nesta jornada bienal de música e amizade tolosano-barroense, de que fora promotor, no âmbito de Sons de Verão 2010. n EMOÇÃO: Dirigido por Leonor Santos, o Cantate foi do inicial abalo emotivo e (quase…) inseguro até ao arrebatador fado de Amália «Foi Deus». Apoteótico! O Temple du Salin aplaudiu, rendido; e pôde escutar ainda os coros da noite, juntos, a interpretarem Belle qui tiens ma vie (Thoinot Arbeau) e Più non si trovano (W. A. Mozart), dirigidos pela maestrina do Cértima. Noite inesquecível, a mais alta e saborosa da vida do Cantate. Barrô a ferver de orgulho – com Águeda e Portugal à cintura! n ES
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