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A "nova velhice"

por Manuel Armando (padre) em Fevereiro 16,2011

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Sempre me habituei a ouvir, entendendo, que a sanidade mental é base de uma saúde física e juventude a persistir durante uma vida quase sem limites.
É frequente privarmos com indivíduos cujos Bilhetes de Identidade indicam idades avançadas mas que se movem, no dia a dia, com uma desenvoltura de criar inveja.
Por tal motivo, aceita-se que o equilíbrio corporal constituirá, também, um fundamento forte e firme para a actividade intelectual, sensitivo ou sentimental e afectivo.
Ambas as vertentes, a espiritual e a corpórea, são peças necessárias e imprescindíveis na interligação recíproca, para uma existência harmoniosa e pacata.
Os apelos do desporto, nas suas variadas direcções e modalidades, são realidades tão antigas como o tempo, quase.
Proliferam os ateneus e centros de ginástica e as “caminhadas” tornam-se, agora, uma espécie de obrigação constante, e ainda bem.
Ao contactarmos com as diversas camadas etárias experimentamos surpreendentes formas de actuações diárias e compromissos não assumidos, nem sequer descobertos.
Muitos dos que, hoje, são jovens de idade, ainda não acordaram ou nem foram despertados para o seu crescimento cabal e adequado. Talvez os maiores, educadores e condutores, se tenham descuidado, para não dizer afastado, em ordem a uma orientação que rume a objectivos concretos na busca duma vivência plena e consciente, tanto quanto possível, que enfrente os desafios desta sociedade desregrada, a caminhar para ao abismo, destemperada e vazia do sentido da felicidade verdadeira.
É bem certo que o clima de permissividade ou omissão se instalou, nestes nossos tempos, nos sectores cruciais e mais vitais dos indivíduos, como o será a família, por exemplo.
Faz pena encontrar gente nova sem norte nem bússola para o descortinar. Não é admoestada ou inserida nos grandes problemas e perigos que a cercam e atafegam. A sua respiração já não admite instrumentos que lhe possam facilitar um novo desembaraço.
Os moços e moças começam, bem cedo, a pôr em prática determinadas ideias e a desfrutar de actos atinentes a uma idade mais adiantada.
Iniciam, muito depressa, uma vida autónoma e independente, embora ligados à casa paterna, unicamente, pelos laços da economia que não possuem mas exigem.
Vivem uma actividade nocturna na promiscuidade, pelo menos duvidosa ou trocam, com a maior das naturalidades, de poiso no descanso (?), porque nada vêem à sua frente, para lá de um mero devaneio imediato. Neste caminho experimentam o sexo, desde tenra idade, com o beneplácito familiar ou sob o olhar de quem tende “confortar” e cegar a sua consciência embotada com o “hoje é tudo assim, e que havemos de fazer”!?
Não é raro, portanto, encontrarmos jovens cansados de viver, desiludidos e sem quaisquer indícios de reacção. Tornaram-se, assim, incapacitados e impotentes para criar riqueza ou vida. Procuraram abarcar e usufruir tudo muito rapidamente.
Buscaram, em antecipação, a fama e o estado adulto, todavia sem bases porque sustentados em pés de barro fraco. Queimaram etapas do seu crescimento. Hoje, são já uns autênticos velhos, de mentalidade inerte e inactiva.
Revestem-se, na verdade, de uma pele mais ou menos lisa mas isso, apenas, é aparato com que se apressam a entrar na sepultura do desespero e da inutilidade.    n MANUEL ARMANDO

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