A Raínha D. Amélia visitou Águeda
Neste ano das Comemorações do Centenário da implantação da República — em 5 de Outubro de 1910 — têm aparecido no País e em Agueda, várias publicações e relatos de acontecimentos que conduziram à República e ao seu interregno. Ousadamente, porque não sou historiador, nem eminente, e o fôlego já me falta, vou recuar até ao período de 337/352, em que obviamente eu ainda não era nascido, para referir que, de acordo com certos historiadores, foi o Papa — São Júlio — quem determinou que a festa do Natal dos Católicos se devia comemorar no dia 25 de Dezembro. E assim passou a ser feito. E apesar de algumas propostas para alterar as datas dos feriados, estou convicto de que o determinado por São Júlio - determinado continuará. A comemoração do dia de Páscoa é que poderá variar. Mas será seguramente a um Domingo. Entre nós, Aguedenses, a Páscoa costuma festejar-se no período de Março a Abril, acontecimento que está relacionado com a Ressurreição de Cristo e com os Solestícios e Equinócios, e com a Primavera. Por essa altura do ano, em que os Passos se forem molhados em Ovar, serão secos (com sol) em Agueda, comemora-se a Semana Santa, onde entre outras práticas de culto católico, se realizava, antigamente, uma imponente procissão, que englobava um magnífico ritual com belíssima coreografia, onde estavam representados, entre outros, os soldados romanos (anti-cristo) e os Judeus (pró-cristo). O grupo dos Judeus (de Agueda), impunha-se e cativava, pelas suas vestes, pelas suas falas e cânticos, e porque estavam do lado do Bem. Era tal o prestígio deste grupo de representantes, que eram solicitados para participarem em cerimónias idênticas, que se realizavam noutros concelhos do distrito.Os crentes dessas terras, ansiavam, para além de outras cerimónias e de outras manifestações de fé, pela presença dos Judeus (de Agueda) e quando os avistavam, havia uma agitação e um entusiasmo, e todos exclamavam “Lá vêm os Judeus de Agueda”. E, segundo consta, os habitantes de Agueda, ganharam, assim, a alcunha de Judeus. Agora a Associação Cultural de Recardães editou o livro “Recardães em Tempo de Mouros e Cristãos” da autoria do meu bom Amigo Deniz Ramos. Este livro veio revelar e confirmar que, para além dos Mouros e dos Romanos, em 670, já em 670, havia em Agueda um Valle dos Judeus. Conclusão: somos possível e provavelmente Judeus. Do que não podemos duvidar é que as comemorações da Semana Santa em Agueda eram um acontecimento que ultrapassava, em atracção e prestígio, as fronteiras da freguesia. Eram uma cerimónia de grande religiosidade, e de grande beleza e pompa, que atraía as famílias e grandes multidões. Ora um dia, a Rainha D. Amélia Louise Helena de Orleães, católica e de sangue dito real, uma mulher sólida de l ,82 metros, ambiciosa e bonita, casou com o Rei D. Carlos na Igreja de São Domingos em Lisboa, a 22 de Maio de 1886. A l de Fevereiro de 1908, ocorreu o Regicídio, tendo sido assassinado o Rei D. Carlos e o Príncipe D. Luís. O Príncipe, e futuro Rei D. Manuel, foi ferido e a Rainha D. Amélia não foi atingida fisicamente. Em 23-05-1905, D. Amélia inaugurou o Museu dos Coches, uma iniciativa sua, no antigo picadeiro de Belém, museu que há dias a Anata visitou, e que continua a ser o mais frequentado de Portugal. Quando, na versão de D. Luciana Aguiar, num certo dia de Agosto, em pleno Verão, num ano que não sei precisar, a Rainha D. Amélia visitou Águeda, as figuras importantes da nossa terra, sabendo que a Rainha era católica, ofereceram como preito de homenagem e gratidão à augusta Senhora, embora em pleno Agosto e fora da época, a representação da procissão da Semana Santa. Como diria o meu saudoso Amigo José Pinto Breda, ourives, regedor, orfeonista, fundador do Cancioneiro, e tudo: -”São coisas da nossa terra”.
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