Águeda: Sarau Marques de Castilho em noite de… sonhos
A Escola Secundária Marques de Castilho encerrou, simbolicamente, o ano lectivo de 2009/2010 com o mais longo mas também mais variado Sarau dos últimos anos. Numa noite de emoções fortes e estreias absolutas.
O sarau, sob o signo do sonho e no novíssimo polivalente de 400 lugares (que foram insuficientes), teve alunos, professores e convidados. Nomeadamente Gil Nadais (presidente da Câmara Municipal e ex-aluno) e a vereadora Elsa Corga (Educação), Rui Carreira (da Parque Escolar) e representantes da empresa construtora. O sarau é «o momento alto da vida cultural e recreativa da escola» e a festa foi abundante em variedade e qualidade: cinema de animação (produção das alunas Tânia Cardoso e Helena Monteiro, do 8º. C, e do professor Pedro Tavares), o trailer da longa-metragem “Circunstâncias” (de Joel Araújo, Hélder Oliveira, Daniel Fernandes e Pedro Correia, do 12º. B) e um filme sobre as contrariedades da vida e a ironia do destino que coloca a personagem central em situações extremas, quando a felicidade está quase a bater a porta. “Videografia” foi outra das produções cinematográficas dos alunos. Vestidas de negro e com ar hollywoodesco estiveram Ana Sofia Reis, Margarida Cardoso, Marta Silva e Rita Ribeiro (12º. A2), contado a “História do Cinema” e apresentando o filme “Lenda da Beleza Roubada”. Este filme e o “Circunstâncias” foram desenvolvidos no âmbito da disciplina de Área de Projecto, que este ano lectivo mereceu especial atenção de professores e alunos, pelo elevado grau de envolvimento e tempo dispendido. É incontornável referir a “reposição” do filme do Quadro de Mérito 2008/9 e frisar a celebração do talento, inteligência e aptidões dos alunos da ESMC que mereceram essa distinção, o que também implica trabalho e espírito de sacrifício. Mas os bons alunos não têm só livros por companhia e a prová-lo estiveram as fotografias de Ivo Tavares. Metáfora perfeita do espírito que norteia o Quadro de Mérito da ESMC é a atitude com que as ginastas da classe Elite, da Academia de Ginástica Rítmica Aveiro Gym, encaram a modalidade. Trabalho árduo, mas também alegria e companheirismo são aquilo de que os sonhos são feitos e foi o que nos mostraram aquelas meninas (treinadas com rigor, exigência e carinho por Raquel Silva), assim como cada um dos 32 alunos do Quadro de Mérito. Houve também ginástica acrobática e dança: Sofia Flores impressionou pela entrega emocional e técnica corporal na dança contemporânea, Bárbara e Marcos pelo “salero” dos passos num tango rasgado, estilos que compuseram a peça “Três Personagens em Hora de Ponta”, coreografada por Sofia Flores. Sensualíssimas, lindas e divertidas estiveram as 15 alunas do 11º. C, «Les Pipelettes» («As Faladoras»), numa representação cénica inspirada no “Moulin Rouge”, sob a batuta francesa da professora Eugénia Correia. O 12º. A1 levou a cena um misto de dança e artes circenses, que encerrou com uma sentida homenagem à directora de turma e responsável pelo sarau, Soledade Matos. O professor Paulo Veiga treinou as «Sobressaltos», que mostraram que fazem a «bandeira» ou a «ponte« com uma perna às costas! De serviço ao microfone, cantando e enchendo a sala com as suas vozes, estiveram a Romina, a Sara, a Bárbara e a Maria Miguel num meddley onde preponderaram músicas dos anos 80 (que saudades!); o Clube de Teatro «Palco Aberto» apresentou um musical (com representação, música e dança) passando a crivo fino, com graça e acuidade, os vícios das sociedades modernas. O quarteto de Jazz trouxe os sons vibrantes dos metais e o coro de Barrô as melodias de sempre. A banda de Luís Grilo encheu a sala com «Palavras com Música». Houve também teatro, pelas turmas do 8º. A e B, com um texto sobre bullying e, especialmente, sobre as marcas deixadas nas vítimas deste fenómeno social. O 9º. A apresentou o seu projecto performativo, culminar das actividades da disciplina de Oficina de Teatro, intitulado “Julgamento Espaventoso”. Ambas as encenações foram da professora Regina Sampaio. «Loucura no Banco dos Réus» levou à cena a eterna discussão da influência da hereditariedade, representada alegoricamente pelo DNA, e do meio ambiente na definição da personalidade humana. Alunos do 12º. ano, numa miscelânea de textos de vários autores e em despedida destas andanças, representaram «Palavras com Palavra», texto em que sobressaiu o «leit motiv» do sarau: o poder do sonho. De outro tipo de sonho, os que se tem enquanto se dorme, às vezes com a necessária ajuda do «xanax», falaram os professores. Num número sempre muito aguardado, brincaram com o cansaço da profissão os sujeita (reuniões, reuniões, reuniões…), com os bons momentos que passam na que se transforma muitas vezes na sua primeira casa, aqui metaforicamente representados pelas personagens do imaginário infantil - a fada, a boneca de trapos, os soldadinhos de chumbo, as marionetas ou a doce bailarina - mas também caricaturando em figuras maléficas o que os atormenta no dia-a-dia. A azucrinar o sono e o sonho do professor adormecido, intrometeram-se o Crispim, o hediondo rapaz pinguim (apelidado, com graça, como o nazi do Tirol), a Bruxa Virgolina, a Judite, o Roy e a mais ou menos boa Belarmina. Houve tempo para o glamour da moda aliada à solidariedade: Joana Pires, Mafalda Rodrigues, Ricardo Francisco e Sónia Pinheiro mostraram que a reutilização de materiais considerados lixo - latas ou caricas de refrigerantes, pacotes de leite ou de café ou ainda caixas de tabaco - podem transformar-se em bonitas peças de roupa ou acessórios de moda. E se nesta noite os modelos foram alunos da ESMC, no dia 22 de Maio foram utentes da CERCIAG que encheram a passadeira vermelha na Praça do Município, mostrando que a beleza não se mede pela cor do bâton ou da intensidade do rimmel. «Os Castilhaços», sob a batuta exigente e dedicada das professoras Ana Santos e Leonor Neves, fecharam a festa, com cantigas estudantis de que se destaca o Hino da Castilho, que todos entoaram em uníssono, celebrando a alegria e o orgulho de pertencer a esta instituição de ensino público, que busca a qualidade e o perfeccionismo, sem descurar o respeito pela diferença, a criatividade e a sensibilidade de todos aqueles que, diariamente, constroem o presente e asseguram o futuro da ESMC. n Teresa Rino
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