O uso racional dos medicamentos
Nenhum medicamento é inócuo, há que ter sempre presente que a toma de medicamentos pode comportar riscos. Saber dialogar com o farmacêutico, colocando-lhe as questões relevantes quanto ao tratamento que lhe é indicado ou prescrito pelo médico, é um benefício para todos. Recorda-se que os medicamentos só o devem ser tomados quando há uma real necessidade, ou seja, quando o médico os prescreve após a avaliação do estado do doente ou quando o farmacêutico os recomenda para alívio do mal-estar ocasional. É condição essencial que quando o doente se queixe junto dos profissionais seja claro e completo na descrição das suas queixas e os informe de qualquer doença crónica que eventualmente possua e, ainda, acerca de todos os medicamentos que toma regular ou esporadicamente. O uso racional do medicamento é a pedra de toque nos benefícios para a saúde, prevenindo riscos evitáveis que decorrem de escolhas à toa, irregularidade nas tomas, desrespeito pela automedicação. Vamos dar dois exemplos que têm a ver com escolhas aparentemente fáceis mas que, como quaisquer outras que envolvam medicamentos, requerem aconselhamento, diálogo com o profissional de saúde e uma atitude muito responsável por parte do doente. Vamos começar pelos laxantes. Constituem um grupo de medicamentos muito diversificado quanto às substâncias activas que possuem. Existem isolados e em associação, com potências diversas assim como quanto aos efeitos secundários, contra-indicações e interacções. Quanto são muito potentes, ocasionam perda elevada de água e de sais minerais que podem levar à desidratação e outras consequências graves sobretudo na população idosa. Também não podem ser administrados a grávidas pelo risco de aborto. Os laxantes com magnésio constituem também um problema grave para doentes com insuficiência renal, idosos e outros doentes, pela acumulação e toxicidade cardíaca ou do sistema nervoso central. Laxantes sob a forma de supositório ou clister devem ser utilizados raramente porque são irritantes e podem até agravar o hemorroidal. Há laxantes que não podem ser tomados pela mulher porque são eliminados pelo leite e ocasionam diarreia no lactente. Vejamos agora a contracepção de emergência. É um método aplicado para evitar a gravidez após uma relação sexual no qual não foram utilizados contraceptivos ou quando houve falha no método utilizado. Para garantia da efectividade é fundamental seguir cuidados rigorosos com a posologia, sendo que a toma deve ser efectuada o mais rapidamente possível após a relação sexual pois se for tomada tardiamente não será eficaz. Este método contraceptivo destina-se apenas a situações ocasionais e não deve ser administrado em diversas situações. Obriga ao uso de outros métodos contraceptivos nas relações sexuais existentes durante o ciclo menstrual em que se realizou a toma de contracepção hormonal de emergência. Não protege contra doenças sexualmente transmissíveis. Pode ser tomada durante o aleitamento, embora seja excretado pelo leite materno. Para minimizar a exposição do lactente ao levonorgestrel (é esta a contracepção de emergência disponível na farmácia) a mãe pode tomar o primeiro comprimido após uma mamada e interromper o aleitamento até algum tempo do fim do tratamento. Esta contracepção de emergência não pode ser utilizada na presença de alterações da função hepática. Isto para sublinhar que a mulher deve conhecer muito bem estes medicamentos quando se dispõem a tomá-los, deve pedir aconselhamento da mesma maneira que deve contar sempre com o farmacêutico quando precisa de analgésicos, antiácidos, tratar do nariz entupido, da prisão de ventre ou da febre. Dialogando, obtém-se informação segura; aceitando e aderindo à informação chega-se mais facilmente ao uso racional do medicamento. E usando racionalmente o medicamento há ganhos de saúde para todos. - BEJA SANTOS
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