“A que distância consegue uma mosca percepcionar um determinado cheiro?” A resposta, por entre hesitações da assistência, surgiu “10… 10 quilómetros!”; “Quando é que tivemos a máxima descarga de adrenalina?” Dúvidas, de novo: “Ao nascer!” Estas foram algumas das perguntas que o Prof. Doutor José Pinto da Costa colocou à numerosa assistência que, na quarta-feira, 24 de Fevereiro, teve o privilégio de participar na conferência subordinada ao tema “Medicina Legal aplicada às Ciências Forenses”, que decorreu no Auditório B da Escola Adolfo Portela (ESAP).
O convite para vir à ESAP partiu de um grupo de alunos da disciplina de Área de Projecto, do 12ºA, que está a preparar um trabalho no âmbito das Ciências Forenses, cujo objectivo é ajudar a perceber os aspectos que ligam estas ciências aos crimes e à investigação.
Objectividade na investigação criminal
De facto, muito se tem evoluído na área da investigação criminal e hoje, no que toca aos inquéritos policiais, a tendência é para valorizar a prova objectiva, em detrimento dos testemunhos. Para essa objectividade na investigação muito contribui o papel do perito e, naturalmente, a preservação do material de prova, que levará à construção de pistas. “A qualidade do perito é quando ele diz ’Não sei’. Quando ele diz que sabe tudo, é um pateta”, referiu Pinto da Costa. Outro requisito importante, na investigação criminal, tem a ver com o maior ou menor conhecimento que o perito tem do modo de ser de um povo. “Quem ler a revista ‘Maria’ e o jornal ‘A Bola’ domina o conhecimento em relação ao Português”, acrescentou o professor jubilado.
O Prof. Pinto da Costa desenvolveu o seu trabalho de investigação sobre as causas da morte a partir das marcas, sinais e vestígios encontrados no cadáver e nas circunstâncias envolventes. Essa investigação, por vezes, ultrapassa tudo o que demais imaginativo se possa encontrar nos livros policiais e é de tal modo vasta e complexa que envolve quase todas as áreas do conhecimento humano, desde a física à química, passando pela matemática, pela medicina e pelo direito.
Ressalta, da sua brilhante exposição, como em Sherlock Holmes, que a dedução não é o método teórico dos livros policiais, mas um método também empírico que permite, mais do que passar um simples atestado de óbito, com uma lacónica informação sobre a causa da morte, apurar se essa causa foi acidente, suicídio ou crime.