Assaltos a templos preocupam a Igreja
A onda de assaltos a templos do Arciprestado de Águeda continuam. Numa só noite, na semana passada, foram “visitados” das igrejas de Barrô (Santo António), Belazaima do Chão (S. Pedro) e S. Miguel e Santo António (Aguada de Cima).
Há dias (ver última SP) foram os de Ois da Ribeira (igreja e capela de Santo António), Cabanões, Aguada de Cima, Espinhel e Piedade. E os ladrões, que até agora se “ficavam” pelas caixas de esmolas, estão a ir mais longe na ousadia, roubando imagens e alfaias religiosas. Na igreja de Espinhel, por exemplo, terão provocado prejuízos na ordem dos 25 000 euros - cinco mil contos - entre cruzes, lanternas, castiçais, caldeirinhas, bases para velas um cálice, uma custódia e até uma coroa da imagem de Nossa Senhora. Sacerdotes há já que, nas suas paróquias, admitem instalar alarmes - e alguns já os instalaram, mesmo - e ligá-los aos sinos, através de sensores, para que toquem a rebate na hora dos assaltos.
Abaixo-assinado nas missas
Os padres de Águeda, entretanto, estão a recolher assinaturas, para uma petição que vão entregar ao Governo Civil de Aveiro, pedindo o aumento de vigilância das igrejas. A decisão foi tomada no Dia do Arciprestado e o documento está em elaboração, para circular em todas as paróquias. “Se preciso, faremos chegar a petição à Assembleia da República”, disse o padre João Paulo Sarabando, pároco de Valongo e Macinhata do Vouga, frisando que “o trabalho da GNR não está em causa, mas é evidente que faltam efectivos, são muito poucos para uma maior vigilância”. As suas duas paróquias têm mais de 40 templos e, segundo o sacerdote, “já todos eles foram assaltados e alguns por mais de uma vez, só no último meio ano”. O grupo, aparentemente, actua organizado e estará ligado ao consumo de drogas. “Está referenciado, mas não há forma de provar quem são. E se forem apanhados, a GNR leva-os a tribunal e são mandados embora. A lei é muito permissiva e flexível, acho eu. Ninguém cuida do que é nosso e, ainda mais grave, ninguém cuida do que é da conunidade”, considerou o padre João Paulo Sarabando.
Intermediários impunes
Os assaltantes têm arrombado caixas de esmolas e levado alfaias religiosas (tudo o que for de metal e possa ser fundido), porque é muito comercializável. Há, portanto, gente no circuito que aceita comprar o material roubado - os intermediários. “Deviam ir dentro. Eu ainda sou capaz de entender que os desgraçados que assaltam o façam, até entendo... mas o tipo que compra, sabendo que compra objectos roubados e de culto religioso, isso já não é a mesma coisa”, considerou João Paulo Sarabando. O sacerdote debita culpas ao sistema judicial, que considera “permissivo e quase protector dos criminosos”. “Eu, se for chamado a depôr, por causa de um assalto, sou multado, se por qualquer razão faltar, e a multa não é pequena. Mas o assaltante é ouvido e vai embora, continua impune…”, disse o pároco de Valongo e Macinhata do Vouga,reapontando o dedo aos intermediários. “Não compram coisas inóquas, são alfaias religiosas. Um custódia não é mesma coisa que um qualquer objecto que se possa derreter, não há respeito”, considerou o sacerdote, que, sobre a possibilidade serem roubadas imagens, disse que “nem quero falar disso”. “São de valor incalculável, um património histórico e religioso que não tem valor comercial, devia haver respeito por isso”, considerou o padre João Paulo Sarabando.
Reforço da autoridade
A petição ao Governo Civil de Aveiro está a ser elaborada e, essencialmente, iá sugerir o aumento do policiamento (mais agentes da GNR, no caso de Águeda) e alterações legislativas, para “dar mais autoridade à autoridade”. “A culpa é do ministério, não é dos agentes da GNR - que são mandados para a caça à multa, ao mau estacionamento, aos pneus carecas, aos documentos desactualizados, porque o Estado precisa do dinheiro das multas. Os agentes da GNR rigorosamente não tem culpa de não haver efectivos suficientes. E também têm direito a folgas e a férias. O sistema é que não dá resposta aos problemas da sociedade”, disse o padre João Paulo Sarabando.
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