O inferno do desemprego e a empregabilidade nula!
Estava eu na modorra, meio acordado e meio a dormir, quando o meu subconsciente se lançou para o inferno do desemprego. Ainda tentei resistir, mas sem resultado. O tema tomou vida própria, foi-se desenvolvendo, tomando proporções gigantescas. Um pesadelo. Mas um pesadelo a merecer reflexão. Se ter uma licenciatura não dá, por si só, garantia de emprego, então porque se insiste em manter nas universidades centenas de cursos de empregabilidade nula? Também a formação profissional, por si só, não dá garantia de emprego. Então porque se insiste na criação de profissionais da formação, coleccionadores de diplomas, que acumulam sucessivamente cursos de cabeleireiro e cozinheiro, alfaiate e jardineiro? Parece óbvio que é melhor ter um emprego temporário do que não ter emprego nenhum. Então porque se insiste na rigidez laboral, com a penalização dos contratos a prazo? Também parece óbvio que quem trabalha deve auferir melhores rendimentos do que aqueles que nada fazem. Então porque se insiste em dar um rendimento perpétuo garantido (ou lá como se chama!) a malandros e marginais? Todos concordam que o sistema público de saúde precisa de mais médicos. Então porque não se criam as condições para a entrada de mais alunos nas faculdades de Medicina, em vez de se insistir na contratação de médicos estrangeiros? Também todos concordam que a Justiça funciona tarde e mal. Então porque não se dotam os quadros de tribunais de mais juízes, delegados e funcionários? Haverá, seguramente, milhares de licenciados em direito disponíveis e desejosos de entrar para essa (outrora) prestigiada carreira. Parece tudo tão óbvio que não se percebe que, com 10% de desemprego, haja necessidade de ter funcionários públicos aposentados a trabalhar como tarefeiros nos serviços do Estado. Pior ainda – a trabalhar nos serviços onde trabalhavam antes de atingirem a reforma (antecipada ou não). Também não se percebe que, em tempo de dinheiros curtos e défices longos, os gestores públicos continuem com vencimentos de nababos, reformas escandalosas e mordomias principescas, independentemente dos resultados desastrosos dos seus organismos, ou empresas. E que procedam a reestruturações e despedimento de trabalhadores, alegando que as suas instituições têm de conter as despesas salariais. Com os salários dos outros, claro! Também não se percebe que, sabendo-se que são as pequenas e médias empresas as grandes geradoras de emprego, se insista na realização de grandes projectos públicos, sejam TGV´s ou aeroportos, auto-estradas, ou pontes em Lisboa. Verdadeiros sorvedouros de dinheiro e aceleradores do défice. Em contrapartida, desertos na criação de emprego. Já se compreende, no entanto, que a juventude se mexa, não se fique. E procure afincadamente um emprego. Ou uma colocação, ou um tacho. Afinal não podem ficar-se pelo canudo, porque este já não dá dinheiro nem estatuto. Alguns desses jovens, herdeiros da nossa gesta marítima, emigram. Para Angola, para os Estados Unidos, para Inglaterra, enfim para onde houver um emprego, bem ou mal remunerado. Normalmente são os melhores, os mais empreendedores e dinâmicos. Outros, filhos de Abril, engrossam as juventudes partidárias à procura da uma oportunidade. E é vê-los a bulir, em ano de eleições. São as visitas às freguesias, os artigos nos jornais, as fotografias em lares e creches. São as lutas acesas pelos lugares elegíveis nas listas às autárquicas. É bom vê-los a mexer. E é bom acreditar que, mais cedo ou mais tarde, também eles hão-de fazer alguma coisa pela vida.
2481 vezes lido
|