Travassô: 12 de Abril aos 84 anos cheia de música para o futuro
A Sociedade Recreativa e Musical 12 de Abril, de Travasssô, está a festejar o 84º. aniversário e, domingo, realiza as cerimónias e almoço de festa, cheia de confiança no futuro.
Há 84 anos, era 1925 e tempo de uma dissidência que evoluía, ainda recente, na Banda Alvarense, que levou um grupo de travassonenses a criar a sua própria filarmónica - congregando também alguns músicos de Espinhel e Ois da Ribeira. Eram 14, no total. Ia-se por 16 de Outubro de 1924 e, a 12 de Abril seguinte, já pronta para actuar, nascia a nova banda, que se baptizou com o nome do dia. O mestre era Ludjero Pinheiro e ensinou-se e ensaiou--se música numa espécie de garagem do sogro de Arnaldo Carril. O primeiro serviço fora de Travassô foi a 28 de Junho, na Oliveirinha, e nesse ano esteve também, em Julho, no Gravanço (dia 12) e Segadães (26), em Agosto em Ois da Ribeira (2), Eixo (3), Almear (10), Pedaçães (23) e Cerca, de Avelãs de Caminho (30). Em Setembro, ainda ainda voltou à Oliveirinha (dia 6) e foi a S. Bernardo (13). A 25 de Outubro, actuou em Aguada de Cima e a 1 de Novembro na Quintã (Vagos). Finalmente, esteve na Azurva, a 8 de Dezembro. Os serviços feitos nesse longínquo ano de fundação “renderam” 7710$00 - ou 385,5 euros. Uma fortuna!
Orquestra Filarmónica
A 12 de Abril cresceu, entre os altos e baixos que fazem a sua história. Correu o país e também deliciou públicos para além das fronteiras nacionais: em Espanha, no Brasil, ou nos Estados Unidos. A primeira memorável digressão ao Brasil, em 1999, foi a Rio Grande, cidade irmã de Águeda - que “acordava todos dias a falar da orquestra filarmónica”, que por lá teve múltiplas e aplaudidas actuações. Orquestra Filarmónica?! Assim lhe chamavam os brasileiros e pegou-se-lhe o nome, que uma assembleia geral depois ratificou: Orquestra Filarmónica 12 de Abril. Pedro Neves e Araújo Pereira “dividem” actualmente a direcção artística. Hélder Filipe Pires, filho e neto de músicos da 12 de Abril, é o presidente da direcção desde 2 de Outubro de 2008, e faz questão de sublinhar que “são ambos maestros titulares, não é um o maestro e o outro o contramestre”. “A orquestra está bem, com repertório de grande qualidade, perto de 70 músicos e regularmente solicitada para serviços”, disse Hélder Filipe Pires. “Nunca são tantos quantos nós gostaríamos, mas também não podíamos aceitar mais, devido a vários compromissos”, acrescentou o presidente.
Peso institucional
Um presidente jovem, de 23 anos, eleito a 2 de Outubro, filho e neto de músicos, já aqui foi dito, e de dirigentes. O pai, Hélder Pires, é instrumentista e foi presidente da direcção - entre outros lugares directivos. Os avós foram igualmente dirigentes da 12 de Abril. “A experiência está a ser excelente, mas dura e difícil, principalmente pelo peso histórico da 12 de Abril. E também do peso da própria família, no espírito da instituição”, disse Hélder Filipe Pires. Nada que lhe meta medo: “Na verdade, só vendo e conhecendo a sua organização se pode avaliar o grau de dificuldades que se enfrenta no dia-a-dia, mas estamos cá, todos os órgãos sociais, para engrandecer a 12 de Abril”, disse o presidente da direcção. Engrandecer, por exemplo, dinamizando a Oficina de Música - que ainda há dias teve a sua audição do ano. “Está a funcionar muito bem, nunca teve tantos alunos”, disse Hélder Filipe Pires. O objectivo essencial da Oficina de Música é “cativar e valorizar as crianças para a aprendizagem da música” e é frequentada por cerca de meia centena de alunos. Serão eles o futuro da Orquestra Filarmónica 12 de Abril.
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