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Travassô: Visita Pascal e Judas não são "coincidentes"

por Redacção Soberania em Abril 17,2009

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Um grupo de cidadãos de Travassô e das suas tradições comenta e contesta afirmações do pároco, relativamente à visita pascal.

A desculpa para a não realização, dito por ele na missa de 5 de Abril, é a de que não estão reunidas condições para que seja feita com a dignidade que merece, porque há coisas menos boas, ou seja a cobrança de dinheiro, logo a seguir à passagem da Cruz, pelas comissões do Judas. O ano passado, foi outra razão e a visita pascal, provavelmemte, não se realizará nos próximos anos. Ou seja, acaba.
Vamos lá a ver se a gente se entende: há quantos anos existe queima do Judas em Travassô? Ninguém sabe, mas já lá irão mais de 400 anos.
Desde que nos conhecemos, a tradição era a de, no Domingo de Páscoa, a Cruz passar por todas as casas abertas e, logo a seguir, entrarem as comissões do Judas, para receber o que as pessoas entendiam pela obra feita, por sinal a única festa na terra que se realiza sem saber quanto vai receber. Ou seja, fazem os gastos e recebem ofertas, que poderão não chegar para as despesas.
Há quantos anos acabou a visita pascal? Que se saiba a única vez que foi interrompida foi em 2008. E este ano.
Se a memória não falha, não há cobrança de dinheiro mas um peditório para a festa. Por sinal, nos anos anteriores também a Igreja o fazia e, ao contrário das comissões do Judas, que esperam que a Cruz saia das casas para fazer o seu peditório, esta, através da Comissão Fabriqueira, entrava com a Cruz e pedia o contributo para a paróquia.
De há uns anos para cá, os párocos, ao contrário de antigamente - e nada temos contra - não necessitam das ofertas, pois auferem ordenado. Ou seja, tanto faz o povo dar como não, o “deles” está sempre garantido.
Resumindo: as comissões do Judas entrar nas casas que tal permitem, já que ninguém é obrigado a recebê-las, é, segundo o pároco, falta de dignidade para com a tradição da visita pascal, mas quando o assunto é a favor da Igreja, se calhar já tem a máxima dignidade.
O pároco deve ter memória curta, pois não está cá há dois anos, mas há duas décadas. O que é que mudou? A Igreja mudou o tratamento das suas tradições ou há alguém a quem o Judas incomoda e que quer atirar para cima deste a culpa da Cruz não percorrer as ruas de Travassô?
Afinal, a  Igreja queixa-se da desunião das famílias e acaba com a tradição, em que estas se uniam e era comum a visita às casas umas das outras (...). As pessoas gostavam da tradição e, nos dias que correm, em que o stress diário é constante, este era um dia alegre, entre as famílias e amigos. Mas parece que, para algumas pessoas da Igreja, já que a Igreja não tem culpa daquilo que alguns párocos fazem, este dia não passa de um dia normal, apesar de apregoarem o contrário.
Ao contrário de se preocupar em acabar com algumas  tradições, que parece que o incomodam, o pároco de Travassô devia era desenvolver e dinamizar a união de todos, à volta da Igreja. Em vez de criar discórdia, devia promover a paz entre todos, o que parece que não ser seu interesse pois, ao longo dos anos, são conhecidas as suas diversas quezílias, com várias entidades da freguesia.
A terminar, se realmente quer terminar com a Visita Pascal, assuma de uma vez por todas a intenção e não procure bodes expiatórios para o fazer. Lembre--se que os párocos chegam e partem, mas a tradição do Judas mantém-se.
Se a sua ideia é acabar com a Queima do Judas… é triste ideia a sua, pois esta está enraizada de tal forma que não é a sua vontade que irá acabar com ela.
Grupo de amigos de Travassô devidamente identificados.
NR: SP solicitou ao padre Júlio Granjeia, na tarde de segunda-feira, uma reacção sobre este comentário, em que é visado. Não recebemos resposta em tempo útil desta edição.


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