Postal da Semana: Bes 400%
O empresário olhou a carta do Banco e emudeceu. Explicava que a crise é forte, que estava difícil obter dinheiro nos mercados internacionais e era mais caro. Face a esta realidade, o Banco não tinha outra alternativa: aumentar a taxa de juro dos empréstimos. Era bom cliente do Banco Espírito Santo, o seu principal Banco, a sua empresa ia bem de saúde e por isso não compreendia. É que, uma correcção à taxa de juro seria compreensível. Mas, o Banco estava a informá-lo que a taxa sofria um agravamento de mais de 400 por cento%! Passava para 6,25% mais Euribor! O que este empresário ficou a saber e não vinha na circular do BES que recebeu no final de Janeiro, deixou-o estupefacto! A correcção do juro ia ser aplicada desde Novembro do ano passado! Mas, o Banco entendia que o seu cliente não estava obrigado a aceitar o inacreditável aumento do custo do dinheiro: “de acordo com a lei, V. Exas dispõem do prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, resolver o supra referido contrato”. O Banco, “compreensivelmente”, estava a dizer: ou pagas o novo preço ou devolve-nos a massa!Afinal, a campanha que há um par de anos andou em tudo o que era Imprensa “BES 360”, tornou-se em “BES 400”. Com uma diferença: o 400 é a percentagem de aumento dos juros dos empréstimos já concedidos! Há quem por aí apregoe que o Estado tem que intervir! Ora, se o nosso Governo está a conceder aos Bancos Garantias com o dinheiro dos contribuintes, tem na mão a possibilidade de definir as regras de jogo! Assim tenha coragem e outros interesses não se levantem mais alto!
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