Espinhel: Água das cheias "engoliu" a estrada do campo
A estrada municipal que atravessa o rio Águeda em Espinhel, ligando a sede de freguesia à estrada Casal de Álvaro-Oronhe, foi repavimentada há poucos meses, mas as obras não impediram as águas de “engolir” cerca de 300 metros da via.
O sinal de “estrada interditada”, colocado pela GNR nas duas margens, proíbe a circulação mas quase todos os condutores o ignoram. Nas cheias da última semana e... quase sempre.
Conseguir passar...
«Consegue passar, consegue, devagar passa, não acelere muito», aconselhava a um automobilista o presidente da Junta de Freguesia, Manuel Campos, citado pela Agência Lusa e queixando-se de «não ter sido ouvido» pela Câmara Municipal de Águeda, quando solicitou que «o piso fosse elevado 50 a 60 centímetros e implantadas passagens hidráulicas para o correcto escoamento das águas». «Se isso tivesse sido feito, hoje não tínhamos este problema, porque, com as obras de repavimentação, a estrada subiu dez a 12 centímetros e deixaram dois pequenos aquedutos sem qualquer significado», afirmou o autarca espinhelense à Lusa. O vice-presidente da Câmara Municipal de Águeda e coordenador da Protecção Civil, Jorge Henrique de Almeida, contactado pela agência de notícias, garantiu que em causa está um «problema de escoamento da Bacia do Vouga». «Temos um problema grave de inundações em Águeda, há cinco situações idênticas à de Espinhel e elevar a quota daquela estrada seria criar um açude com repercussões muito graves a montante», alertou Jorge H. Almeida, afirmando também que a alternativa à actual estrada municipal é a construção de «uma ponte», obra para a qual «não houve dinheiro até agora, nem haverá» na autarquia.
Hidráulica... não chega
O vice-presidente da Camara comentou também que “em situações de cheia não há passagem hidráulica que chegue» e, ouvido Lusa, referiu que “a construção de uma ponte significa milhões de euros». O responsável pela protecção civil referiu ainda que a autarquia está a estudar, com o Instituto da Água (INAG), formas de solucionar «uma série de estrangulamentos do rio». «Às vezes olha-se para o umbigo e custa a ver mais longe», criticou, numa referência à posição do presidente da Junta de Freguesia de Espinhel, que se queixa de a alternativa à estrada inundada ser um percurso de dez quilómetros, por Águeda. «Há um percurso alternativo, de cerca de três quilómetros, por Casal de Álvaro», contrapôs o vice-presidente da Câmara Municipal de Águeda.
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