Vida pública e vida privada...
Jan 16,2009 00:00 by MJHMello
O respeito pela vida privada  constitui um direito adquirido pelos membros das comunidades humanas, sobretudo as mais evoluídas, muito embora nem sempre seja observado.
Quando se trata de gente desconhecida, a infracção ao princípio pouca relevância consegue obter. Para o comum das pessoas, aquilo que os anónimos cidadãos fazem, ou não fazem, nas suas vivências diárias é irrelevante e quase sempre desinteressante. Mas, tratando-se de figuras públicas, já não será assim. E será tanto menos assim quanto mais mediáticos forem os cidadãos objecto da coscuvilhice alheia.  
Abordo o tema com alguma relutância, tão pouco me interessa a vida privada de cada um. Mas a abordagem resulta dos protagonistas da história, do que foram, ou são, e dos cargos que desempenharam, ou ainda desempenham. E, assim sendo, passa a ser difícil fazer de conta que a efeméride não merece uns minutos de atenção e análise,  ainda que ao correr dos dedos.
Eu sei que o mundo em que vivemos não tem nada que ver com aquele em que nascemos. Ou, para ser mais exacto, o mundo é o mesmo, embora  totalmente diferente. Poderá ser difícil de explicar mas lá que é assim não restam quaisquer dúvidas...
Ora aconteceu há dias que, em Paris ,a senhora que dá pelo nome de Rachid Dati deu à luz uma criança cujo pai a mãe recusa dizer quem é, embora se trate de um segredo de polichinelo porque são poucos aqueles que duvidam da identidade paterna da recém-nascida.
Identidade que dá pelo nome de José Maria Azenar. A mãe é ministra da Justiça em França e o pai foi, por muitos anos e bons, nada mais nada menos do que presidente do governo de Espanha, casado com outra mediática figura, Ana Botella.
Dar acolhimento e comentar este acontecimento não pode ser considerado como desrespeito pela  regra do silêncio que a vida privada merece. Bem pelo contrário. Porque tanto pode servir de bom como de mau exemplo, consoante o posicionamento assumido por cada qual. De bom exemplo para aqueles que teimam mandar às urtigas os princípios de uma moral que consideram ultrapassada. De mau, e mesmo muito mau  exemplo, para quantos pretendem remar contra a maré da liberalização dos costumes.  Agora que a Espanha, até há pouco ainda envolta no manto diáfano do catolicismo mais retrógrado, parece querer libertar-se dos costumes medievos que durante séculos caracterizaram a vivência de  «nuestros hermanos », parece-me não suscitar dúvidas a quem quer que seja. Depois da legalização dos casamentos entre homossexuais, pouco mais haverá capaz de  nos espantar. E será oportuno não esquecer que a futura rainha já esteve civilmente casada e viveu com um companheiro um bom par de anos. Pelo andar da carruagem , vai ser em Espanha que se celebrará o  advento da primeira mulher sacerdotisa.   Já agora porque não “casada” com outra  do mesmo sexo ?!Que grande reboliço não irá na tumba dos Reis Católicos!