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Fim de ano sem grandes expectativas
Dec 30,2008 00:00
by
Luisa-Mello
Nunca fui muito afecta a comemorações de Ano-Novo. Dantes, até se lhe chamava de Ano-Bom! De momento o melhor é bater com os nós dos dedos na madeira quer para Novo quer para Bom… Sabe-se lá que mais irá acontecer num mundo onde os pobres padecem, os ricos roubam (não generalizando, claro!), as classes - médias-antiga “desprezível” burguesia - é o cepo das marradas das reformas e anda por aí aos bordos. Estava outro dia muito tranquila a ouvir rádio enquanto tomava o pequeno-almoço e eis que se anuncia música portuguesa. Realmente, é melhor anunciá-la porque se ouve raramente através da hondas hertzianas das rádios consideradas de referências. Fico sempre tão contente como se estivesse emigrada na Tailândia. Aparece- -me uma canção de contestação, que já devia ter sido retirada das audiências desde os anos 80, pelo menos. Há destas canções bem bonitas e até actuais. Estes “Índios da Meia-Praia”, ainda por cima em voz assanhada da Dulce Pontes (o seu autor, Zeca Afonso, sempre dizia o que dizia em voz melodiosa…), tem letra perfeitamente “pitbúlica”!… Principalmente aquela tirada do “quem dera que a gente tenha/de Agostinho a Valentia/para alimentar a sanha/de esganar a burguesia!/ Não é censura: antes reparo na falta de sensatez de trazer ainda à baila sentimentos destes. Mais valia terem passado qualquer disco de música anglo-saxónica da pesada, ou até da leve, com que não nos deixam em paz todos os dias. Primeiro, porque não lhe entendia a letra; segundo, se exprimia ódio era coisa lá das estranjas. Veio-me à ideia aquela tirada do Woody Allen de que quando ouvia Wagner lhe apetecia logo invadir a Polónia… (tenho Wagner como um dos meus compositores preferidos e admiro nele, sobretudo, a força e a melodia, não acho violento, acho grandioso!). A canção que acabo de referir - “e agora música portuguesa!” Ridiculo! só não me esganou, que sou burguesa assumida, porque a parte líquida da refeição já tinha passado pela garganta.Mas deu-me vontade de pegar nas tais pedras e tijolos e começar a atirá-los janela fora… As urgências do Hospital entupiam de tanta cabeça burguesa rachada e mais grave não seria porque vivo num primeiro andar. Verdade que já estou farta de canções de Natal, velhos barrigudos de vermelho, mães-natais estilizadas de mini-saia e também da côr das latas da coca-cola, anjinhos, luzinhas, palhinhas e até de meninos-jesus de todos os géneros e efeitos. E das festas respectivas que já não vejo, porque além de excessivas em quantidade também nem em qualidade às vezes se safam, a começar pela “breguice” de alguns apresentadores e pela sensação de alegria artificial que sempre fica em mim quando apanho destes festejos ao acaso de qualquer zapping. Alegria genuína, pressupõe felicidade. Felicidade, pressupõe estar-se contente com o que se tem, o que acontece cada vez menos. E, principalmente, principalmente, sentirmos paz de espírito e consciência tranquila, o que é difícil para quem Vê em vez de se limitar a olhar. Bento XVI lançou uma frase, que, se possível de ser posta em prática, poderia ser realmente uma solução: “Combater a pobreza para construir a paz”. Seria arrancar a maioria dos males pela raiz já que a pobreza é mais um problema político que de falta de recursos. Que também há e pior virá a haver quando se está a deixar cada vez mais de haver campos para só haver cidades… Acabo de ouvir o Primeiro-Ministro a declarar que as suas relações e do Governo com a Presidência da República estão absolutamente impecáveis. (sic). Muito me regozijei, embora para mim palavra deste primeiro-ministro seja sempre de ouvir com um pezinho atrás. Andava desconfiada que a estafada questão do Estatuto dos Açores tinha sido um seu pretexto para levantar sarilhos de ocultas intenções, ou desviar atenções de coisas muito mais importantes que andam a deixar o povo com vontade de “esganar” realmente a sua maioria absoluta… n Vontade de “esganar” o PSD começo a sentir. Aquilo está pior que os tais “índios da meia-praia”! Saco de gatos, albergue espanhol, mais vozes que nozes. Onde anda o bom-senso de um partido que deve ser opção de Governo? Quanto a mim anda por aí a síndroma das “Opções Inadiáveis” que tentaram (aos anos!) derrubar Sá Carneiro. Muita ambição, muita injeva, muita intriga. Os que já ocuparam altos lugares querem voltar a eles; os que nunca os ocuparam, pensam que está na altura; os invejosos tradicionais, deitam como o caracol os “pauzinhos” de fora; os intelectuais profissionais, estão a “vender saúde”. Até parece que andam a “dormir com o inimigo”! Um Partido partido é o que querem? Depois admirem-se de ter de lhe apanhar os cacos!... Deixem as vossas raivinhas, intelectualizem menos, que às vezes obscurece o bom -senso… Precisamos de um Nuno Álvares Pereira na política para unir as hostes?! A Manuela Ferreira Leite, os meus votos para que o consiga. E pulso! “Nunca a inveja medrou nem quem ao pé dela morou”. É disso que não precisamos! n LUISA MELLO 22/12/08 |