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O Governo, a oposição e a crise!
Nov 05,2008 00:00
by
António-Silva
É normal ouvir-se a opinião dos entendidos em tempos conturbados do sistema financeiro, mas ninguém assume a culpa das anomalias encontradas. É normal, também, acusar-se o governo de ter desleixado a fiscalização ao sistema bancário, que deve ser feita através do Banco de Portugal e estamos de acordo, pois o Banco de Portugal parece não ter cumprido as suas obrigações nesta matéria. Foi por isso que, de desleixo em desleixo, alguns bancos chegaram a um buraco de muitos milhões, o que levou o governo a intervir, responsabilizando-se pela liquidez dos depósitos no BPN. Até aqui, tudo certo, porque o governo, com esta atitude, inteligente e rápida, deu credibilidade ao sistema bancário e evitou uma corrida aos depósitos, que iria estrangular e asfixiar a economia. Mas nós, que pagamos os impostos com que o governo vai salvar a banca, gostaríamos de saber qual vai ser a culpabilidade que vai atribuir aos responsáveis pela gestão danosa que praticaram e saber, também, por onde andam os milhões que faltam no banco. E o castigo, qual será? É que, neste país e em relação às fraudes económicas, a culpa costuma morrer solteira e é por isso que alguns gestores bancários usam e abusam do dinheiro dos seus clientes com a maior desfaçatez do mundo. Sabem que nada de mal lhes acontecerá! E ninguém receie que fiquem na miséria porque na miséria, não fosse a cobertura do Estado, ficariam os que confiaram e lá depositaram as suas economias. Nós, que estamos expostos aos efeitos sociais resultantes da turbulência económico-financeira que se generaliza, resultante dos sistemas implantados, não deixamos de ficar atónitos por ver alguns responsáveis fazer doutrina, mas fazer como Pilatos. Normalmente, são eles que estão ligados aos grandes impérios económicos e, nessa qualidade, criam sistemas e inventam tácticas que inflacionam a bolsa criando aos pequenos investidores a ilusão do lucro fácil. Quantas economias privadas são desviadas, às vezes, dos meios de produção, com promessas de lucros muito mais atractivos? Joga-se na Bolsa para no dia seguinte ficar rico, mas como a Bolsa oscila ao sabor de gente pouco séria, lá vem o dia em que se fica na miséria. Não é o meu caso, que não jogo, mas tenho alguns amigos que caíram nesse logro e estão a perder o que tanto lhes custou a granjear. Mais estupefactos ficamos quando alguns desses senhores deixam, do alto da sua cátedra, a ideia de que sabem tudo, só não souberam evitar o pior, bem pelo contrário, e agora criticam o governo por este pretender reduzir os efeitos da crise, impulsionando a economia com investimento público. Outro galo cantaria a esses sábios se, com responsabilidade, se unissem ao governo no sentido de ultrapassar as dificuldades em que o país se encontra. Em vez disso, manifestam-se com lições de sapiência e obstinada oposição às decisões do governo, quando este decide avançar com obras públicas, para acelerar a economia. Nunca fui apoiante deste governo, mas não posso estar mais em desacordo com os seus detractores e opositores, quando defendem que, em tempos de crise, é um erro fazer grandes obras.Guarde-se o tesouro, ponham-se as notas debaixo do colchão e deixe-se a miséria social crescer! Ter esse comportamento em tempos de crise, é agravar a crise e é uma atitude só desculpável aos particulares e, mesmo assim, não deixará de ser um erro. Mas, serem os governos a deixar que o tempo resolva a crise, não é só um erro, é uma irresponsabilidade porque, em momentos como os que atravessamos, só os poderes públicos têm capacidade de investimento que, se não for a solução ideal, é a solução possível para amenizar a crise! Nós, que somos aldeãos e leigos, mas não somos burros, defendemos que o governo deve seguir as suas linhas de orientação e não deverá, nesta matéria, ceder à descredibilizada oposição, sob pena de cair no mesmo descrédito! Num momento em que a crise é transversal a todos, deixar paralisar por completo as economias, é atirar para a sarjeta milhares de pessoas com famílias inteiras a entrarem em colapso. ´ Se não forem as grandes obras que só os governos podem activar, qual é então a solução dos sabichões do contra para os problemas sociais que se avizinham? Roubar, asilar, pedir esmola, ou ir para a beira da estrada? Não será mais honroso e acertado criar postos de trabalho do que subsidiar o desemprego? É nos momentos de crise e entre os práticos que aparecem os génios, nunca entre os teóricos! Compete a todos, mas principalmente aos governos, tomar atitudes arrojadas em momentos de recessão e é em situações extremas que cada um mostra o que vale: o governo marca o ritmo e a oposição ou é séria e dança ,ou não é séria e sai da roda! Em condições normais, o aceleramento faz-se através das iniciativas privadas, mas em momentos críticos como este, e de perda generalizada de confiança, é aos governos que compete avançar com as grandes soluções, que passam por grandes obras que estimulam e animam as economias. Ora, se o governo der ouvidos, e esperamos que não dê, aos que não querem as obras públicas, vamos ter que enfrentar gravíssimos problemas sociais. Felizmente que para governar, cumprindo o seu programa, o governo não precisa de ser autorizado pela caquética oposição. A bem da Nação, esperamos que avance, com inteligência, determinação e em força, porque se ouvir os opositores nem faz o TGV, nem o aeroporto, nem as auto-estradas, nem qualquer outra obra de vulto, mas terá que fazer uns quantos manicómios para acolher não só os velhos do Restelo que abundam por aí e só vêem nevoeiro, mas, pior que isso, as famílias dos atingidos pelo desemprego e que começam a ficar loucas, sem tecto, sem eira nem beira e sem poderem consolar os filhos que choram com fome. É nestes momentos que mais aprecio aqueles que avançam sem ouvir o ladrar dos cães! |