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O mundo está em crise
Oct 22,2008 00:00
by
António-Silva
O mundo entrou em crise e a convulsão em se encontra está a acentuar ainda mais o fosso entre ricos e pobres e a fazer uma sociedade de senhores e escravos: escravos e espoliados, por gente sem escrúpulos, das migalhas que amealharam ao longo de uma vida de sacrifícios. Não esqueçamos a última novela BCP! Os Governos beneficiam a criação de grandes impérios económicos com o argumento da competitividade, mas nem sempre os que beneficiam dessas situações têm a dignidade de fazer jogo limpo. Vejamos o que acontece na banca. Anunciam milhões de lucros para, de uma só cajadada, matarem dois coelhos: 1º.- Seduzem as poupanças feitas à custa de muito sacrifício, para produtos sem credibilidade nem garantia. Não fossem as últimas responsabilidades assumidas e anunciadas pelo governo e as nossas pequenas poupanças estariam em situação muito má. Parece que, com gestores destes, o nosso dinheiro, de quem o tem, corre sérios riscos! 2º.- Apresentam todos os anos lucros fantásticos para ganharem a confiança do cliente e passarem a ideia de que são os melhores gestores do mundo e, assim, enganando o povo, justificarem os ordenados milionários que auferem no exercício, às vezes desastroso, das suas funções. E não ficam por aí: acrescem mais umas escandalosas quanto imorais gratificações como reconhecimento da uma hipotética boa gestão e, tudo isto, somado a uns gordos e permanentes subsídios a título de qualquer coisa e ainda não é tudo! Quando abandonam os cargos recebem chorudas pensões vitalícias e grossas indemnizações. Entretanto, os diversos departamentos governamentais que têm a obrigação de fiscalizar o bom funcionamento da Banca que actua no País, de modo a garantir aos aforradores segurança dos seus depósitos, deixam que se faça publicidade, às vezes enganosa, à saúde financeira das entidades bancárias, o que contribui para que se cometam os mais ousados e grosseiros crimes económicos. Mas esses não vão para a cadeia. Na cadeia está a freira que, no Porto, andou de autocarro sem pagar o bilhete! (Se tivesse feito um assalto a um banco, mesmo com metralhadoras, o juiz aplicava-lhe apenas o termo de identidade). É grave que, quem governa, incentive ao aparecimento de autênticos cartéis que pelas mais diversas formas espoliam o nosso povo à semelhança de um qualquer terceiro mundo. Seremos nós mais que isso…? São as gasolineiras, as eléctricas, os seguros, qualquer dia as águas de Portugal e tudo o mais que faz parte das necessidades básicas e diárias do cidadão. São bens essenciais que, na mão de privados sem escrúpulos e sem um controle governamental apertado, ficam à mercê da ganância e do lucro fácil que será sempre feito à custa do Zé. E os de mais débeis recursos são sempre os que mais sofrem! Nunca fomos adeptos de um Estado-patrão nem de uma economia estatal planificada (conhecemos bem os resultados de tais sistemas nos países onde eles foram implantados), mas os governos têm obrigação de regrar o comportamento de quem gere bens essenciais à vida das populações. Depois, no sistema político em que vivemos, de pouco valerá criar comissões reguladoras porque, os senhores do poder económico arranjam sempre forma de retardar as conclusões para em cada dia que passa extorquirem mais uns milhões de forma cruel e injusta a quem não pode deixar de consumir electricidade, gás, gasolina, etc., etc. Vejamos o que acontece com as subidas dos combustíveis: diz o responsável pela investigação aos preços praticados que, só lá para Março se conhecerão os resultados! Quanto terá valido essa declaração? E até lá o Zé paga e os cartéis das gasolineiras engordam dia-a-dia. Se isto não é ficção, só pode estar a acontecer num País de terceiro mundo. Este governo, que tem tomado atitudes dignas dos nossos aplausos em relação a alguns crimes fiscais, quando assumirá, com a mesma postura, as suas responsabilidades em relação aos grandes senhores e aos grandes crimes económicos? E olhem que eles, impunes, andam pela nossa praça! Controlem as fortunas que se exibem por aí e comparem-nas com as declarações em IRS, dos seus detentores, para não ficarmos sujeitos à verdade apenas e só, quando se zangam as comadres! |