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Sociedade: É urgente melhorar condições de vida e de trabalho
Oct 01,2008 00:00
by
RSP
A economia portuguesa, depois de alguns sinais de relançamento económico em 2007, volta a enfrentar um período de desaceleração, com as previsões para 2008 a serem revistas em baixa. “O crescimento do PIB deverá desacelerar de 1,8%, para 1,4%, o que continua a põr Portugal num crescimento inferior à média comunitária, prolongando-se o período de divergência de crescimento, face à média comunitária, iniciado em 2000/1 e que, de acordo com as previsões da Comissão Europeia, se manterá em 2009”, comentou o sindicalista Jacinto Martins, que de 9 a 11 de Setembro esteve na Comissão de Trabalho do Parlamento Europeu - onde lembrou “o actual panorama social desequilibrado e o crescimento do desemprego e precariedade do emprego”. O baixo crescimento do PIB tem contribuído para manter o nível de rendimento per capita inferior a 75% da média da UE a 27, tendo, inclusive, ocorrido uma redução na última década, para valores próximos dos registados no início da de 90. “A desaceleração na economia deve-se, em grande parte, à manutenção de políticas de controlo das contas públicas e do deficit orçamental, relegando para plano secundário o crescimento económico, o investimento e a criação de emprego”, disse o dirigente sindical no PE, acrescentando que “alguns elementos externos, como a crise financeira dos Estados Unidos, a crise energética e a desaceleração económica de alguns dos principais parceiros comerciais, vieram acentuar a situação, não tendo o Governo português adoptado políticas e medidas concretas de combate à crise, como foi feito, aliás, por muitos dos Estados-membros, nomeadamente a Espanha”. A retoma económica, em períodos mais recentes, disse Jacinto Martins, “tem sido sustentada sobretudo pelas exportações, sendo este um elemento positivo, associado a ganhos de competitividade no plano internacional, o que “revela, porém, a fragilidade desse processo de retoma, principalmente por não ter associado a melhoria da procura interna e do consumo privado”, assistindo-se a uma sistemática e preocupante descida da taxa de poupança dos particulares, acentuada desde 2000, e à forte subida do endividamento das famílias, “gerando complexas situações económicas e sociais”. “O fraco consumo privado não só condiciona o bem-estar e o nível de vida das famílias, como não se constitui alavanca para a dinamização da economia, compensando os impactos externos negativos”, disse Jacinto Martins, no Parlamento Europeu. |