|
Maior projecto cultural de Águeda pode estar à beira do…colapso!
Aug 13,2008 00:00
by
RSP
É incontornável que a União de Bandas do Concelho de Águeda (UBA), fundada no pico do Verão de 1988, vive dias de…crise. SP - sensível ao estado crítico em que está mergulhado “o maior projecto cultural de Águeda dos últimos 20 anos”, na óptica de Amílcar Morais, um dos mentores da UBA - aborda hoje, em profundidade, um tema que tem dominado as conversas nos meadros culturais do muncicípio.O actual momento da UBA, o (não) cumprimento dos objectivos que presidiram à sua fundação, as razões para que o projecto vacile e as soluções para a sua revitalização, motivaram conversas com Amilcar Morais, António S. Almeida Roque, António A. e Silva, Hélder Pires, Arnaldo Nogueira, Augusto Timóteo e Adaíl Pires da Rosa, personalidades umbilicalmente associadas ao nascimento da UBA. SP não conseguiu, apesar de todos os esforços, chegar à fala com António Ferreira (Banda Castanheirense), que, segundo soubemos, se encontra em gozo de férias termais. Amílcar Morais (Maestro) FALTA UM LÍDER A SÉRIO 1. Fiquei muito triste ao verificar que a UBA chegou a este ponto. Falar nesta matéria é muito complicado porque não gosto de ferir susceptibilidades. As pessoas estão interessadas na manutenção da UBA, mas sinto que falta um líder a sério. A UBA é um projecto que deve aglutinar e não dividir. Tudo se resolverá. 2. Não têm sido cumpridos porque tem existido algum comodismo e um défice de liderança. 3. Os estatutos terão que ser revistos. Não satisfazem, só emperram! É preciso uma nova abertura para que a UBA siga para a frente. 4. Promover uma reunião com as cinco Bandas e traçar um novo rumo, de modo a enfrentar os tempos actuais. As pessoas têm que compreender que os homens passam e as colectividades ficam. Os presidentes das bandas são pessoas responsáveis e não vão deixar cair o maior projecto cultural de Águeda dos últimos 20 anos. António S. Almeida Roque (AG da UBA) PROJECTO VACILOU E NÃO TEM FUTURO 1. Conheço muito mal a situação actual e as condições em que funciona a UBA, mas penso que a instituição tem continuado a existir porque tem havido o objectivo de receber um subsídio municipal. A instituição nasceu quase em simultâneo com a minha iniciativa de dotar as Bandas do concelho com novo instrumento, o que se concretizou numa reunião em Castanheira do Vouga, em Dezembro de 1988, em que estiveram presentes o eng. José Júlio Ribeiro, então presidente da Câmara Municipal, os vereadores dr. Horácio Marçal e dr. Silva Pinto, eu próprio e mais três ou quatro interessados. Dessa reunião resultou um protocolo em que eu e a Câmara Municipal nos comprometemos a comprar o novo instrumental às cinco Bandas, a começar pela Castanheirense, em que a autarquia dava (a cada uma) cinco mil contos e eu dois mil e quinhentos. Por minha imposição, os instrumentos substituídos deveriam ser depositados à ordem da Câmara Municipal com vista à construção de um futuro museu. Todavia, com muitas nuances e faltas da autarquia, cujo presidente, entretanto, foi substituído, por doença, os instrumentos substituídos nunca foram entregues à Câmara Municipal. 2. No meu entendimento, a cooperação é a base fundamental do associativismo e isso não tem acontecido. Assim, os objectivos não estão a ser cumpridos, embora tal facto não me surpreenda… A UBA nasceu do entusiasmo que mereceu a minha iniciativa e da boa fé de dois ou três “carolas” e acabou quando estes factores cessaram. 3. O projecto vacilou e não tem futuro. Este ou qualquer outro se os elementos que lhe dão suporte não lhe proporcionarem a capacidade e, sobretudo, a indispensável compenetração do que são os deveres de associação. 4. É sempre muito dificil cooperar quando se tem de previligiar o interesse colectivo sem deixar de aflorar o nosso. Sobretudo na sociedade actual, onde a vida pública é sinónimo de mentira, onde a inveja e a hipocrisia são moda quase obrigatória e onde a justiça não passa de aspiração de alguns (poucos). No mundo actual, o associatisvismo, como a democracia, vive da mentira a que estes factores os condicionaram, o que lhe empresta a inoperância, só funcionando quando um pequeno grupo, a rogo dos grandes senhores, se reúne para consolidar os interesses destes contra os que não se podem defender, a exemplo do que se passa em tantas associações, que pelo seu poder já dominam a sociedade actual e de que a política é exemplo soberano. O associativismo verdadeiro só existe na imaginação de alguns e só poderá ser realidade quando o homem for educado para viver em autêntica solidariedade. Mas isso será impossivel, asim como a prática da democracia, com o egoísmo actual no mundo. António A. e Silva (Banda 12 de Abril) ACREDITO NO BOM SENSO 1. O actual momento da UBA é o reflexo do seu mau funcionamento, para o qual, há muito, temos vindo a alertar. 2. Não. O projecto não era estático nem se resumia a um encontro anual. Mas o problema é que os dirigentes que se seguiram aos fundadores não encarnaram no espírito da UBA e resumiram esta organização a um concerto anual. Considero que é muito pouco! 3. O projecto começou a vacilar quando os directores deixaram de se encontrar com regularidade. No tempo dos fundadores, reuniamo-nos todos os sessenta dias e isso criava cumplicidades que dificultavam eventuais comportamentos menos ortodoxos entre as diversas associações que dão corpo à UBA. 4. Estou afastado dessas lides há muitos anos, mas considero válido o projecto que apresentei no arranque. É provável que poucos se lembrem, mas defendi que a UBA fosse liderada por gente indicada pelas Bandas, mas que não estivesse ligada às suas direcções. De resto, sabemos que as rivalidades existem, mas nunca foram obstáculo, como prova o relacionamento que houve na primeira meia dúzia de anos. Depois, à medida que as direcções foram ignorando e desrespeitando os restantes orgãos sociais, tudo se foi deteriorando até ao ponto em que estamos. Acredito no bom senso de cada um e de todos para salvar a UBA. Hélder Pires (Banda 12 de Abril) Risco de... VIR A MORRER! 1. A UBA tem que mudar de rumo porque assim não funciona. Está na hora de mudar sob pena de vir a morrer e nunca mais ressuscitar! 2. Não, nunca foram! Essencialmente por culpa de todas as Bandas, que são as grandes responsáveis pela actual situação. 3. São simples. A “panela” foi enchendo, enchendo, até transbordar... 4. Foi o que eu disse na passada quarta-feira na reunião de sócios da 12 de Abril: urge contactar o presidente da Assembleia Geral da UBA, para que se encontrem novos caminhos. Arnaldo Nogueira (Banda Alvarense) É preciso meditar 1. É melhor não me pronunciar... Neste momento, não tenho informação suficiente para o fazer. Não quer dizer que não tenha dados mais precisos daqui a algum tempo. 2. Não! 3. As pessoas que estão à frente das bandas não são as mesmas da altura em que a UBA foi fundada... Não conhecem os objectivos que estiveram na origem da sua criação. 4. As pessoas terão que se sentar, conversar e chegar a consensos! É preciso meditar! Terão que se motivar e sensibilizar para o projecto inicial. Seria bom e bonito que o fizessem. Unia e defendia as bandas. Mas as pessoas não são as mesmas e não têm essa sensibilidade... Augusto Timóteo (Banda Nova) Guerra coM... “canhões” 1. Para mim foi um grande desgosto quando soube da atitude da Banda 12 de Abril. Mas isso não me admira! Tive grande gosto e orgulho em juntar as duas bandas de Fermentelos e, depois, em participar na fundação da UBA, mas há invejas que não se conseguem ultrapassar. 2. Não. A Assembleia Geral e o Conselho Fiscal, ao que sei, não têm sido ouvidos nos últimos tempos e essa é uma questão que terá de ser muito bem ponderada. 3. Para mim, houve rixas que nunca foram ultrapassadas... Foram “guerras” que não se limitaram a “espingardas”, também meteram “canhões”. O problema está aí! 4. Defendo uma reunião patrocinada pela Câmara Municipal de Águeda, conduzida pelo Capitão Amilcar Morais, que reúna representantes das cinco Bandas, a Assembleia Geral e o Conselho Fiscal da UBA. Adaíl Pires da Rosa (Banda Marcial) UBA ENFRENTA TEMPESTADE 1. Estou muito triste com algumas notícias que saíram na comunicação social. Julgo que houve uma certa precipitação do presidente da 12 de Abril. As questões que dizem respeito à UBA são para ser tratadas dentro de casa. Sinceramente, não gostei! Depois da saída dos fundadores a UBA deixou de funcionar e criou-se um fosso. Espero que a “tempestade” passe rapidamente. 2. O Festival da UBA foi o que nos juntou numa sã amizade, mas os objectivos não passavam só por aí e parece-me que não estão a ser cumpridos minimamente. 3. Há várias razões. Os presidentes das direcções das bandas já têm muito trabalho e não lhes resta tempo para a UBA. Mas o principal problema reside nas rivalidades, que têm sido um foco prejudicial e de instabilidade... A rivalidade sã é salutar, mas, por vezes, aparecem os “velhos do Restelo” com a intenção de meterem o “bico”... 4. As bandas devem ter assento, por inerência, na direcção da UBA, mas defendo que esse órgão deve ser constituído por directores que não façam parte dos órgãos sociais das bandas. É fundamental que as pessoas entendam que a UBA não se deverá resumir à realização do Festival e que é essencial recuperar os objectivos que presidiram à sua fundação. VER TRABALHO COMPLETO EM EDIÇÃO IMPRESSA SP |