UBA…POUCO DOCE!
Aug 13,2008 00:00 by RSP
Aníbal Pires, presidente da direcção da Sociedade
Recreativa e Musical 12 de Abril, de Travassô, demitiu-se do cargo na sequência da Asembleia Geral do passado dia 6 de Agosto.

O dirigente apresentou uma proposta para suspender a participação da 12 de Abril na UBA, mas a Assembleia Geral da colectividade chumbou-a (18 votos contra, 14 a favor e quatro abstenções).
SOBERANIA DO POVO (SP): A Assembleia Geral correu mal?
ANÍBAL PIRES (AP): A reunião correu dentro da normalidade, tendo resultado na aprovação de todos os pontos da ordem de trabalhos (contas e financiamento), à excepção do assunto relativo à UBA e da continuidade da 12 de Abril neste projecto cultural.
SP: Foi, como se consta, uma reunião divergente?
AP: Foi uma reunião onde foram colocados em cima da mesa todos os pontos de vista dos associados presentes. Como é normal, as nossas assembleias costumam ser muito participativas, o que nos agrada. Numa associação como a nossa há sempre opiniões divergentes, que importa ter sempre em consideração, no sentido de as fazer convergir.
SP: ...
AP: É reconhecido que a 12 de Abril é uma escola de virtudes que tem criado no seu seio músicos de inquestionável qualidade, maestros do melhor que há em Portugal e dirigentes que não regateiam esforços para levar bem alto o nome de Travassô.
SP: Qual era a proposta da direcção em relação à UBA?
AP: A direcção propunha a suspensão da 12 de Abril na UBA até que fossem esclarecidos os pontos que, na nossa óptica, estão na base do mau funcionamento deste projecto cultural. E pretendíamos lançar o debate em torno do processo relativo à legalização e reorganização da UBA.

ASSUNTO
SENSÍVEL

SP: De que modo é que a sua demissão se precipitou?
AP: Durante a discussão do assunto relativo à UBA, houve um grupo de associados que expressou uma posição bem demarcada e que chocava claramente com a proposta apresentada pela direcção. Sendo este um assunto tão sensível, dentro e fora da instituição, com o chumbo da nossa proposta, fiquei sem margem de manobra para continuar o projecto.
SP: Quando é que o mandato terminava?
AP: O mandato prolongava-se até ao final do ano...
SP: Que associados são esses e quais as suas propostas?
AP: Foram vários os associados que se manifestaram, contra e a favor da posição da direcção. Após terem sido apresentadas algumas sugestões acabou por chegar à Mesa apenas uma proposta alternativa à da direcção, apresentada pela associada Conceição Reis, que passava pela apresentação da 12 de Abril no Festival da UBA sem tocar no desfile inicial e na marcha final em forma de protesto. A referida proposta foi desde logo posta de parte pelos presentes.

DIRECÇÃO
EM SINTONIA

SP: Os elementos da direcção estavam em sintonia com o presidente?
AP: A decisão de apresentar o assunto da UBA na Assembleia Geral foi unânime e a orientação da opinião sobre o tema também. Já depois da minha demissão vários elementos da direcção me abordaram e apresentaram a sua solidariedade.
SP: Sentiram-se, de alguma forma, desapoiados?
AP: Devo confessar que me senti particularmente desiludido com os elementos da Mesa da Assembleia, que não só não apoiaram a direcção, como, ao fomentar a discussão, talvez tenham acabado por influenciar a opinião de outros associados.
SP: A direcção vai cair?
AP: Penso que sim. As pessoas, a começar por mim, não estão agarradas aos lugares. A minha presidência é uma missão de voluntariado, pelo que ao sentir que há gente com predisposição para assumir a direcção e os destinos da associação, devo ser o primeiro a colocar o lugar à disposição.

DISPONÍVEL
PARA APOIAR

SP: Num cenário de eleições antecipadas, admite ir a votos?
AP: Não! Todavia, estarei disponível para prestar todo o auxílio a quem decidir apresentar-se a votos, inclusive aos associados que se mostraram discordantes com a proposta que apresentámos na Assembleia Geral relativa à UBA, se eles vierem a organizar uma lista.
SP: Teme que a associação possa cair num vazio directivo e de gestão?
AP: A 12 de Abril tem muitos associados de qualidade, que agora poderão disponibilizar-se para assumir a direcção. Relativamente à gestão, estou convencido que mesmo que a direcção se demita, não deixará de assegurar a gestão corrente até novas eleições. Admitindo este cenário, sou de opinião que as eleições deverão ser marcadas ainda antes do Festival UBA 2008.
SP: O Festival aproxima-se... A 12 de Abril vai marcar presença?
AP: Face aos acontecimentos entendo que a questão que deve ser colocada ao presidente da Assembleia Geral.