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Entrevista: PSD de Águeda está órfão e precisa de liderança de referência
Jul 02,2008 00:00
by
RSP
Paulo Matos admite algumas virtudes no mandato de Gil Nadais, como “a organização e modernização dos serviços municipais”. Mas, sublinha, falta “obra nova”. Compara-o mesmo a José Sócrates, por só se preocupar “com a imagem, o marketing e a festa”. Mas nem por isso o PSD local surge como real alternativa presente ao poder socialista. “Há, de facto, alguma orfandade do PSD de Águeda”, disse a SP. Quanto à saída de Gil Nadais do partido, referu que “ele é que deve ter tido pena de ter abandonado o PSD”. “Basta analisarmos a forma solitária e sofrida como tem exercido o poder”, sublinhou o presidente da Assembleia Municipal, eleito pelo PSD.
SP: Como analisa a governação municipal de Gil Nadais? PM: Tenho dito que, no aspecto da organização e modernização dos serviços municipais, o trabalho é positivo. Também devo reconhecer o mérito que teve na revisão do PDM, nos projectos para o rio e para a pateira de Fermentelos ou a criação de novas zonas industriais, como, por exemplo, o Casarão. Há também uma nova dinâmica cultural, que muito se deve à parceria entre a Câmara Municipal a associação d’Orféu. SP: Mas... PM: Todavia, estamos num concelho ainda com algumas carências nas freguesias, onde os eleitores exigem obra concreta. SP: E isso gera algum descontentamento popular? É assim? PM: Na verdade, nota-se algum descontentamento pela inexistência de obra nova, o que, aliado ao descontentamento do movimento associativo, face aos apoios da Câmara, designadamente no que toca ao diferendo com as bandas, começa a gerar alguns anti-corpos na sociedade, face ao actual executivo municipal. SP: Então, como interpreta a passividade da oposição, que é principalmente a oposição (não) exercida pelo seu partido, o PSD? PM: A oposição ao executivo, essencialmente liderada pelo PSD, ainda não conseguiu gerar uma nova dinâmica, face ao peso que carrega de bastantes anos de governação. SP: Já demora, não acha? PM: Demora. Há, no entanto, sinais de que tal dinâmica pode ser gerada, sobretudo, após o desfecho da questão judicial que afectou o trabalho político do PSD. SP: Podemos então, interpretar das suas palavras, existir uma crise de liderança no partido, no PSD de Águeda? PM: Há, de facto, alguma orfandade do PSD em Águeda, após o trabalho de vários presidentes, que, com qualidades e defeitos, lideraram os destinos do concelho. Estou--me a lembrar de José Júlio Ribeiro, de Deniz Ramos e de Castro Azevedo, Antunes de Almeida e todos aguedenses que, em vários quadros institucionais, serviram o partido e Águeda. O que eu acho é que o PSD precisa hoje, de uma liderança de referência, suficientemente popular e experiente, para fazer com que os eleitores voltem a acreditar. SP: Existe esse líder? PM: Lembro, “que um projecto político para o concelho”, não se contrói só com uma liderança forte, mas com ideias novas e diferentes, que sustentem uma verdadeira alternativa ao PS de Gil Nadais. SP: Que espaço político ainda resta ao PSD nacional, com esta política “à direita” do actual Partido Socialista? PM: Com Manuela Ferreira Leite, a matriz do PSD é a de readquirir as características de um partido social-democrata, com algumas preocupações liberais, isto é, um partido que vê o Estado como uma garantia de protecção dos mais desfavorecidos, criando condições de liberdade e iniciativa para as empresas e a economia. SP: O PSD é, hoje, um partido dividido em facções e ferido por querelas pessoais. Será Manuela Ferreira Leite a líder que o partido precisa, para o unir e sarar? PM: Acredito que Manuela Ferreira Leite tenha a capacidade suficiente para federar as várias sensibilidades, que foram patentes, de resto, no último combate eleitoral interno. O Partido Social Democrata não pode aparecer dividido nos próximos combates eleitorais.
Ver entrevista na edição SP impressa. E ainda: - NADAIS É UM HOMEM SOLITÁRIO - ASSEMBLEIA MUNICIPAL É USADA COMO PALCO DE TRICAS - O PS TRABALHA PARA A IMAGEM - CÂMARA DE NADAIS SEM OBRAS… NOVAS |