Pardais ao cesto!
May 30,2008 00:00 by Luisa-Mello
“A coisa é esta: sabem o que são aqueles espantalhos que os lavradores espalham pelos campos, para protegerem as sementeiras dos pássaros? Pois, neste caso, nós somos os pássaros e o governo os espantalhos!”
Medina Carreira em entrevista
a Constância Cunha e Sá


Ouvi um dia destes que o jogador leonino Liedson ia parar a sua actividade futebolística por quatro meses, por causa de uma lesão grave: “Sobrecarga nos adutores”. (E, a propósito: parabéns ao Sporting pela Taça, já que para os “meus lados” este ano foi um xito e porque cá por casa os lagartos são mais que muitos...).
A “sobrecarga nos adutores “teve um efeito pirilampo” nos meus neurónios: eureka! seja lá do que se trata, é um óptimo diagnóstico para o país, no momento que corre! Estamos todos com os adutores sobrecarregados!!! Por quanto tempo vamos ficar parados é que não sei, nem vejo nesga de esperança. Isto está numa fase de povo parado e governo pasmado. Preferia dizer “apaspalhado”, mas os paspalhos somos nós. Poem-nos a venda nos olhos, como o jogo da cabra-cega, e aí vai de promessas de luz à vista no túnel. O pior é que isto de se pertencer à União Europeia tem pelo menos algo de bom: vêm logo os desmentidos! Tira-se a venda e chega-se à triste conclusão de que estamos como antigamente os burros à roda da nora: andamos anos e anos às voltas e estamos sempre no mesmo sítio. Ou, como no jogo da Glória, fomos penalizados com recuos numas tantas casas do papelão.
Papelão fez o nosso Primeiro, na Venezuela e pelo caminho. Pelo caminho foi o menos: deixem lá fumar o homem! Tem todo o direito a ficar doente como outro qualquer fumador...
Depois, como foi anunciado nas TVs e periódicos venezuelanos, sua excelência também por lá se exibiu no seu “circuito de trote” (a expressão não é da minha responsabilidade...) e o trote, como se sabe, já é coisa saudável. Não sei se fez na Venezuela bons e proveitosos negócios para todos nós, mas inspirou aquela aparição vermelha que se chama Chavez a falar de milagres de Nossa Senhora de Fátima. Ia-me caindo o queixo de tão espantada! E pelo sorriso amarelo do “José”, se calhar a ele também...
Com perdão da má palavra: não será aquilo que se chama, sem maldade, uma mariquece
chegar-se de retorno ao país e meter-se nas urgências de um hospital, por causa de uma  constipação? Depois, dizem que as urgências hospitalares andam entupidas! Devia ter esperado pelo menos quatro horas, devido à ligeireza da maleita e gostava de saber se pagou taxa moderadora. Cada vez estou mais de acordo com aquela do “ou há moralidade ou comem todos!”
O desplante de vir ainda gozar com o pessoal, explicando que o catarro não tinha nada a ver com as fumaças aéreas, é típico da personagem. Depois de ter pedido desculpas pela infracção e até prometido rompimento com o mau hábito - como se alguém estivesse interessado nisso!... - deve-lhe ter dado um gostinho especial pôr a cereja no cimo do bolo. Como anedota até nem foi mal achada!
l Aquela coisa do P.I.N. (Projecto de Interesse Nacional) que é, ao que percebi, a escolha a dedo das empresas que o Governo entende serem dignas de tal interesse e benefício, tá-se mesmo a ver! Voltemos a pôr a venda nos olhos...
E algodão nos ouvidos, quando o ministro das Finanças deixa o registo dos triunfos e segue para o “habituem-se a passar mal que esta realidade veio para ficar!” Qual delas? A da propaganda do “boa vai ela” ou a da aflição do “ó tia! ó tia!”?!