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A ILHA DE FIDEL E A DEMOCRACIA MUNDIAL
Apr 17,2008 00:00
by
Alcides Melo
O longo inferno do povo cubano, com 49 anos e que ainda ninguém sabe se fica por aí, tem por autor fratricida um áspero ditador que, como se sabe, dá pelo nome de Fidel Castro. Um “homem” que espantosamente, “malgré” o martírio que tem imposto aos seus compatriotas, sempre fruiu o prazer de ser abraçado amistosamente por “democratas”, como pessoa de alta estima e com mais apreço, até, que alguns dos mais honestos governantes, respeitadores escrupulosos dos direitos humanos e da democracia. VERGONHA: Os 49 anos foram de crimes e crueldades, que têm chocado a humanidade, de tal modo que essa gente “democrática”, que o tem recebido com inusitadas provas de simpatia, alguma do seio governativo, se tivesse vergonha, não punha os pés fora de casa!. Dei-me ao cuidado de recolher de um livro editado em Francês, no ano de 1949, informação sobre esse “ínsigne” personagem. Refere “a entrada triunfal de Fidel em Havana em 8/1/59; a sua hipócrita declaração: “O poder não me interessa, quero é voltar à minha aldeia e retomar o meu “métier” de advogado”; o imediato desmentido dessa declaração, com execução massivas de que foram teatro as prisões de la Cabãna de Havana e de Santa Clara; o anular do projecto de organizar eleições livres que havia prometido; o suspender na Constituição de 1940, que garantia os direitos fundamentais; o afastar do governo de democratas como Manuel Urrutia (Presidente da República), os ministros Rupo Lopez Fresquet, Manolo Ray e Henrique Oltusky (que o ajudaram a derrubar Fulgêncio Batista, outro carrasco do povo cubano) e só porque se mostraram, tal como ele, reticentes com o novo regíme. Depois é o mundo obreiro (até esse!) que sobe a repressão e são os sindicatos. David Salvador, secretário geral da Confederação dos Trabalhadores Cubanos (de cunho castrista), que era uma outra figura de democrata na luta armada (Fidel queria era opressores) acabou por ser preso e torturado. A repressão toca igualmente de “plein fouet” o mundo artístico e a classe média. 150 000 mortos Tudo o que não alinha com o ditador, vai para o cárcere. E, dizia Castro, “não me interessa o poder”, mas abraçou-o ferozmente!. E para que os cubanos saibam que não podem seguir outro caminho, definiu o papel da sociedade cubana num slogan que resume as suas concepções: “Dentro da revolução, tudo. Fora, nada!”. São atribuídos aos regimes totalitários da América Latina (Cuba, Nicarágua, Perú, informação de 1949) 150.000 mortos. A fonte que consultei não especifica dividido em parcelas o número de cada um destes países. Mas aponta a Cuba milhares de fuzilados nas prisões de la Cabãna, Santa Clara, Loma de los Coches, Boniato, etc., e, evadidos da ilha por mar, 100.000 cubanos, muitos dos quais pereceram e lhes serviu de sepultura esse “gelado” mar das Caraíbas!. Guerra nuclear Esse homemainda colocou o Mundo à beira de uma guerra nuclear! E quanto mais não havia para descrever, que não aproveito, porque acho, pelo que fica dito, que mais não é necessário. E pergunto eu: no que fica dito, não avulta, indiscutivelmente, um cenário que toca as raias do inconcebível?! Seria ajustado, democratas que se auto-proclamam perseverantes defensores da liberdade e dos direitos humanos, estenderem as suas mãos a quem as tinha/ /tem sujas de caudais de sangue de inocentes vítimas?! CRUELDADE: Poderá deixar de surpreender que o “senhor” de Havana (que, em termos de crueldade e de opressão, deixou Salazar a milhares de anos-luz), quando há uma meia dúzia de anos veio à cidade do Porto participar numa Conferência Ibero-Americana, fosse recebido como foi, por democratas da nossa terra (alguns do seio governativo), com tanta delicadeza e fidalguia?. Quem sabe, se na mesma hora as armas não crepitavam e mais cubanos destroçados não estariam a engrossar o número de vítimas, e o mal que teriam feito seria clamar por liberdade e democracia. Não é assim que se prestigia o regime democrático! Bem fez o 1º. Ministro inglês que, só para não ter de sentar-se num palco onde Mugabe marcava presença, não veio a Lisboa, aquando da Conferência Euro-Africana. |