OS JOGOS ANTIGOS E OS MODERNOS
Apr 09,2008 00:00 by Luisa-Mello

Em tempos de “era uma vez”, quando jogos de computador, internet, youtubes, blogs e a demais parafernália electronica nem Júlio Verne a sonhava, a criançada entretinha-se, e entretinha-se à brava, em jogos inocentinhos e movimentados, quase todos ao ar livre. Contrariamente ao que a malta júnior de hoje deve pensar, divertíamo-nos pela medida grande e sedentarismo não era timbre dos juniores de então. As brincadeiras até tinham nomes engraçados: cabra-cega, trapo-             -queimado, mata, macada, triste viuvinha, salta à corda… Os rapazes era mais o pião, as caricas, o guilhas, polícias e ladrões e, claro, a bola. De couro ou de trapos, conforme as posses da família, que, ao que eu observava, o divertimento devia ser o mesmo. Para elas e para eles, desde que houvesse rebuçados ou caramelos, havia uma espécie de piãozinho de lados quadrados, com letras em cada um deles: RTPD. O que queria dizer exactamente RAPA, TIRA, PÕE e DEIXA. O número de jogadores era o que se podia arranjar. Cada qual punha no centro, da relva, da terra, do empedrado onde se sentava, o convencionado em guloseimas, e, piãozinho a rodar, para o lado que caía, assim se rapava (apanhava-se do centro do jogo o que lá estava, todos ao mesmo tempo), tirava (o que jogava), punha mais por sua própria conta, ou deixava-se tudo na mesma e recomeçava-se.
Esta parece antiga, mas não é. Joga-se hoje todos os dias com outros protaganistas, alguns já bem maduros. Pode é dar-lhe o nome de política. Rapa, tira, põe e deixa, neste caso tudo com conotação negativa.  Os rebuçados e os caramelos já eram! Agora é mais “money, money”. O relambório é para, neste escrito, ir desaguar à história do Hospital e Tribunal, aqui mesmo neste nosso rincãozinho da Beira-Litoral. Numa semana, leio na imprensa local: o Hospital vai ser acrescentado, ter mais valências, modernizado. “Porreiro, pá!”, os de Anadia que se lixem que não tinham nada que nos meter ao barulho, quando lhes raparam as urgências. Na semana seguinte, pela mesma imprensa, tenho o desprazer de me ser comunicado: “Perdemos o Tribunal!” Raparam-nos o que quanto ao tribunal estava prometido. Lembrei-me imediatamente do jogo do rapa. Por aqui te dou, por ali te tiro. Resolvi fazer umas quadras de pé quebrado, para tirar trabalho aos meus ilustres “colegas” do Clube da Venda Nova, que são os mestres dos mestres em descobrir manhosices. Com licença, então:

A Justiça, coitadita/Anda mal, mas mesmo mal/Aqui, em Águeda-a-Linda/Cheira até a funeral…

O Governo, que é tinhoso/P’ra chatear o Litério/Dá-nos por troca Hospital/Hospital que nem Império.

E nós papamos as papas/E nós papamos os bolos/Vamos no bote, aguedenses/Já que nos levam por tolos!

Peço desculpa pelo resultado, um bocado canhestro, da versalhada, mas, para certas coisas, só um António Aleixo e esse, infelizmente, já passou a “políticas” mais limpas…
-  LUISA MELLO - 14-3-08

n Ainda a tempo: Venha lá então a via rápida para Aveiro. Espero estar ainda viva quando fôr da inauguração… -  LM