BORRALHA: PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA LA-SALETTE FOI CRIADA HÁ 25 ANOS
Feb 20,2008 00:00 by M. JOÃO GASPAR
A sudoeste da cidade de Águeda e junto ao rio, nasceu há séculos um pequeno burgo, que passou a ser conhecido com o nome de Sardão, cujo território se dividia e divide pelas freguesias de Águeda e de Recardães.

Era aí que o caminho, descendo das faldas do Caramulo e das terras beiraltinas, se cruzava e interligava com a velha estrada que, de Braga e do Porto, seguia para Coimbra e para Lisboa e onde, certamente, os estafetas deixavam e levavam a correspondência, as mu-las eram mudadas e os viajantes descansavam e se abasteciam. À ilharga-sul da povoação, num lugar elevado mas só dentro das fronteiras da freguesia de Águeda, foi surgindo um novo aglomerado. Logo se chamou Borralha.

À VOLTA DA CAPELA
A capela de Nossa Senhora de La-Salette, que existiu até à actual igreja matriz, na parte alta e no mesmo sítio, foi mandada edificar pelo primeiro conde de Sucena, o benemérito José Rodrigues de Sucena. Substituiu uma outra, requerida a 22 de Setembro de 1860, ao padre dr. José António Pereira Bilhano, vigário-geral da Diocese de Aveiro, que despachou favoravelmente. Já antes, a 13 de Agosto do mesmo ano, Nossa Senhora de La-Salette passou a ser o orago da aldeia.
Assim, em redor da velha capela - e agora da igreja - foi crescendo a Borralha, que hoje conta alguns milhares de habitantes, dedicados à indústria e às mais díspares profissões. Dado o seu índice demográfico e desenvolvimento social, viriam a verificar-se as condições indispensáveis para a sua autonomia religiosa e emancipação administrativa.

O recém-ordenado padre Laurindo Ferreira Machado, em 1949, foi nomeado capelão  da Borralha, da paróquia e freguesia de Santa Eulália de Águeda. Logo se apercebeu das enormes necessidades religiosas e sociais do povo. Não lhe foi difícil reconhecer que precisaria de trabalhar muito; mas também não quis negar-se, nem por um instante, à tarefa que recaíra sobre os seus ombros. Assim, passados menos de dois anos, anunciou o começo dos trabalhos de construção de um edifício junto da capela de Nossa Senhora de La-Salette, para residência do capelão e salas de catequese e formação. Em face da míngua de recursos económicos, conseguidos pela generosidade dos habitantes, o padre Laurindo não encontrou outra solução, a não ser deslocar-se junto dos emigrantes no Brasil, Venezuela e  Estados Unidos. Venceu e triunfou!...

PROMESSA DE D. JOÃO
A inauguração realizou-se a 20 de Junho de 1954. Esteve presente o arcebispo-bispo de Aveiro, D. João Evangelista de Lima Vidal, que deu a jubilosa notícia de que o lugar da Borralha, dentro em breve, seria elevado à categoria de paróquia religiosa. E levou a sua bondade ao ponto de consultar publicamente as pessoas sobre o assunto, desta forma: «Quereis que seja criada a freguesia da Borralha?». Claro que a assembleia respondeu a uma só voz, afirmando, com vibração e entusiasmo: «Queremos!... Queremos!...». O arcebispo apenas acrescentou: «Tenho entendido… e tenho dito!» Uma salva de palmas, em apoteose, coroou as suas palavras.
O sonho da criação da paróquia da Borralha foi germinando nos anos seguintes, em ordem à possível concretização, mesmo sem a inclusão do lugar do Sardão. Contudo, ao padre Laurindo fora confiado outro ofício pastoral, no Seminário de Santa Joana, e D. João Evangelista faleceria em Janeiro de 1958, sem dar o despacho favorável à criação da paróquia. Em Dezembro de 1962, tomou conta dos destinos da Diocese de Aveiro D. Manuel de Almeida Trindade. Quis logo ter conhecimento dos assuntos e problemas pendentes, para dar as possíveis respostas. Um deles foi o processo da Borralha.

A REITORIA
 A partir de Maio de 1964, foi capelão da localidade o padre António Gonçalves Pereira, que logo contou com a colaboração da Comissão do Culto, instituída no ano seguinte. Nesta ocasião, a comunidade prosseguia na aventura da construção de um novo e espaçoso templo, capaz de corresponder à numerosa população do lugar, dado que a capela de Nossa Senhora de La-Salette era de dimensões exíguas. De tal forma decorreram os trabalhos que, em 5 de Setembro de 1965, a igreja foi benzida pelo bispo de Aveiro.
O padre António G. Pereira, por motivo de saúde, teve de ser substituído em 1967, pelo padre Messias da Rocha Hipólito. Por fim, após o respectivo processo canónico, o prelado erigiu canonicamente a Reitoria de Nossa Senhora de La-Salette da Borralha, mediante o documento que assinou em 6 de Fevereiro de 1968, para entrar em vigor no dia 11 seguinte.

FINALMENTE!
 Transcorrido algum tempo, D. Manuel de Almeida Trindade, concluiu que chegara a altura da passagem definitiva da Reitoria da Borralha à categoria de Paróquia e a 11 de Fevereiro de 1983 expediu a provisão diocesana, com a explícita anuência de D. António Baltasar Marcelino, seu bispo coadjutor. Na mesma data, o padre António Graça da Cruz foi nomeado pároco da Borralha, «com todos os direitos e deveres que lhe competem, o qual até agora e desde 1975 exercia o múnus eclesiástico de reitor”.

FREGUESIA CIVIL
 
Em 1986, aconteceu um facto de primordial importância para a Borralha. Paulatinamente, a população foi, outrossim, desejando a sua emancipação civil. Por isso, com consciência de que já constituía uma paróquia, vivendo com a sua autonomia no seio da Igreja Católica, iniciou-se o respectivo processo, cujo percurso não teve dificuldades de relevo. A decisão acabou por ser favorável; o Diário da República de 20 de Agosto de 1986, publicou a respectiva Lei nº 25/86.
A Paróquia da Borralha, entre os seus objectivos, não se tem alheado do exercício da acção sócio-caritativa e de solidariedade social. Por isso, deu concretização ao Centro Social Paroquial da Borralha, instituído a 6 de Julho de 1992, por iniciativa do padre António de Almeida Cruz.
Começando a exercer actividades no edifício das salas de catequese e reuniões, foi mais tarde transferido para o Brejo, no Casal Lito, propriedade da Diocese. Anexas à casa antiga, foram construídas novas instalações, oficialmente inauguradas a14 de Julho de 2007. n M. JOÃO GASPAR