O BCP, O CO2 E O REGICÍDIO
Feb 20,2008 00:00 by AR
1 - O BCP: Os jornais deram conta, recentemente, que o ex-presidente do BCP, Teixeira Pinto, quando saiu da sua administração, foi contemplado com uma indemnização (?) de dez milhões de euros (dois milhões de contos, em moeda antiga) e uma pensão (?) vitalícia de 35.000 euros/mês, paga 14 vezes/ano !!!
Casos similares parece existirem em empresas de capitais públicos e na banca do Estado. Nos tempos que correm, será que ninguém é capaz de acabar de vez com obscenidades deste tipo? A verdade é que esta matéria é preocupação de governantes de países europeus, como recentemente aconteceu no caso da Alemanha. Isto é um insulto, acima de tudo, a quem trabalha, para produzir efectivamente riqueza neste de brandos mas caros costumes…   
Nem só a corrupção tem de ser combatida. Aquelas imoralidades, que todavia são legais, deveriam merecer um tratamento de choque, de modo a serem eliminados…
2 - AS EMISSÕES DE CO2: Também há notícias agradáveis! Uma delas chegou do Palácio de Belém. Refiro-me à notícia de que Cavaco Silva terá tomado consciência de que a sua residência oficial produz anualmente mais de 700 toneladas de CO2, que são lançadas para a atmosfera. Daí que tenha mandado fazer uma auditoria energética, que levou à conclusão de que poderão, e serão (?) feitas reduções dessas emissões em 30% com uma consequente redução da factura em 40%. É caso para se darem os parabéns ao Presidente, com os votos de que muitos outros responsáveis políticos venham a fazer o mesmo.
Por seu lado, os simples cidadãos deverão preocupar-se em suas casas com o tema, até porque os seus filhos já estão a ser mentalizados nesse sentido nas escolas! O que se aplaude com ambas as mãos.
3 - O REGICÍDIO: Fez agora 100 anos que, no Terreiro do Paço, em Lisboa, os “carbonários” Buíça e Costa assassinaram a tiro o Rei D. Carlos e seu filho Príncipe D. Luís Filipe. Trata-se de um facto da nossa História.
Uns tantos cidadãos deste país democrático quiseram assinalar a data com algumas comemorações, entre as quais a inauguração de uma estátua em Cascais, terra que muito ficou a dever a esse Rei. Pois bem, logo a “esquerda caviar” se ergueu contra a simples presença da Banda do Exército nessa cerimónia. Não obstante o Presidente da República, que é o Chefe máximo das Forças Armadas, ter acedido a estar presente na cerimónia, o democrata socialista a exercer funções de ministro da Defesa Nacional, cedendo a pressões de minorias, achou por bem que a Banda não devia lá ir, e não foi. Não andará este ministro a brincar com a tropa?.
Por seu turno, o “historiador” João Soares declarou ao Diário de Notícias (1-2-2008) que ”no plano histórico, e por razões diversas, é preciso homenagear quatro figuras”, ou seja, os assassinados e os assassinos.
Do que tenho lido, cheguei à conclusão de que D. Carlos terá sido um Rei culto, amante do progresso, prestigiado nas monarquias europeias que hoje existem em Democracia, um Rei melhor do que muitas outras  personalidades que foram homenageados ao longo do tempo… n Armando Rocha