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BUROCRACIA, FUNÇÃO PÚBLICA E BCP
Jan 25,2008 00:00
by
AR
1 - A burocracia - Estive recentemente em Sevilha com o meu neto Diogo, de 13 anos. Tratando-se de uma cidade com belos monumentos, não podia perder a ocasião para, uma vez mais, fazer uma visita à sua famosa catedral. À chegada à bilheteira, apercebi-me de que as pessoas idosas pagavam apenas 50% do preço de ingresso, tal como as crianças. Mas, como estrangeiro, tive dúvidas que essa tarifa se aplicasse a não residentes. Vendo a minha hesitação, a menina da bilheteira logo se apressou a dizer que sim, que pagaria como qualquer espanhol. E… nem sequer pediu os bilhetes de identidade para se certificar das idades quer do idoso, que era eu, quer da criança que era o meu neto. Ou seja, ali a maldita burocracia não tinha cabimento. Pois bem! De regresso a Portugal, fiz, logo a seguir, mais uma viagem ao Porto, de comboio. Na estação de Santa Apolónia, foi-me solicitado o bilhete de identidade para o funcionário se certificar se eu tinha ou não ultrapassado os 65 anos! Eu que já atingi os 80! E, no comboio, o revisor voltou a pedir-me o mesmo documento. Reagi, dizendo que era natural que eu aparentasse muito mais do que os tais 65 anos, pelo que não seria necessária a exibição do mesmo… Só que o diligente revisor, que me calhou na rifa, me respondeu que eu era obrigado a andar na rua com o bilhete de identidade... Para evitar mais confusão, acabei por tirar da carteira o documento que ele afinal nem quis ver… dizendo apenas: obrigado! E lá segui viagem com um certo sabor amargo! É por estas e por outras que a Espanha está num patamar de desenvolvimento a que nós, certamente, acabaremos por chegar, mas só que não sei quando… 2 - A dimensão da função pública - No início dos anos '50 fixei-me na Capital para trabalhar na Administração Geral do Porto de Lisboa, ao Cais do Sodré, naquele emblemático e belo edifício do Relógio. Em certo dia, em representação da secção de futebol da Associação Académica de Coimbra tive de procurar o Prof. Mário de Figueiredo que era, ao tempo, Presidente da Assembleia Nacional, e que sempre me recebia com a maior cordialidade para tratar de problemas da Briosa, desde os tempos de estudante. Na altura, ele perguntou-me onde é que eu estava a trabalhar e eu respondi-lhe que tinha entrado ao serviço da AGPL. Logo ele me fez saber que essa entidade pública era a que mais funcionários tinha no País, mas concentrados. Outras entidades havia com mais funcionários mas que estavam espalhados pelo País fora. Eram os casos, por exemplo, da CP e dos CTT. A AGPL tinha nessa altura 2.300 trabalhadores. A Câmara Municipal de Lisboa tinha muito menos. Os tempos foram passando e hoje, diz-se que a CML tem mais de 10.000 trabalhadores. A cidade de Lisboa cresceu assim de tal modo que tenha necessidade de tanta “mão de obra”?... Claro que, com as políticas seguidas, não pode haver orçamento que resista! O certo é que, naquela altura, a cidade de Lisboa era considerada das mais limpas do mundo! E não é menos certo que, agora, Lisboa não se pode orgulhar do mesmo, antes pelo contrário! E não posso deixar de expressar a pena que sinto quando passo pelo Cais do Sodré e vejo o antigo edifício-sede da AGPL rodeado por mais uns tantos que tiram a vista magnífica do Tejo e que estão a ser, construídos ao que parece, à revelia do Governo, que a tutela (?). 3 - As eleições no BCP - será que temos cá capitalistas que estejam dispostos a enfrentar o poder governamental em Portugal e em Angola? A independência da larga maioria desses privados termina quando os seus interesses possam colidir com os dos partidos dos governos, de cá e de lá, o que sucede a miúde. Ou não será assim? Logo, Cadilhe não tinha hipóteses, à partida. Mas, saúde-se a sua coragem e lucidez. E boa sorte para os pequenos accionistas... n Armando Rocha |