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NO INVESTIR É QUE ESTÁ O GANHO…
Jan 03,2008 00:00
by
Nelson Leal
O êxito da SIM é um caso notável e raro no tecido industrial português. A indústria nacional, em particular a de produção doméstica, tem-se caracterizado, regra geral, pelo baixo risco no investimento, em particular, na formação bruta de capital, pelo baixo valor acrescentado no produto final, pela baixa qualificação dos seus trabalhadores e, por isso, pela baixa qualidade dos seus produtos. Em síntese, a nossa indústria tem-se caracterizado pela sua baixa produtividade. Essa é, seguramente, uma das principais causas do nosso atraso e da nossa divergência com os restantes países da União Europeia. A SIM, ao contrário, definiu uma estratégia de sucesso, ao apostar na modernização, na qualificação e no mercado externo. Os resultados aí estão, a comprovar o êxito dessa estratégia. Neste mundo global, com a inundação de produtos asiáticos a baixo preço e com regras de jogo competitivo altamente viciadas, a solução não é a imitação do jogo baixo, chinês ou indiano, e a desregulamentação do nosso modo de vida social e económico, com baixos salários e maus produtos. A solução está no valor acrescentado dos produtos, na sua qualidade e no seu design e na aposta no sector da exportação (tendo em conta o baixo consumo doméstico e o fraco poder de compra lusitano). O exemplo dos países do Benelux e da Dinamarca é paradigmático: com recursos e dimensões menores que Portugal, a sua aposta na qualidade e na inovação dos seus produtos, permitiu-lhes encarar com tranquilidade a globalização da economia, com um crescimento sustentado do seu produto e sem déficites públicos. O povo tem grande poder de compra e sabe escolher, procura qualidade e não lojas de chineses ou carrinhos baratos. Aliás, existe uma relação muito estreita entre a investigação e desenvolvimento (I&D) e a riqueza de um país. No início deste milénio, os cinco países que mais gastaram em investigação, como percentagem do PNB foram os seguintes: a Suécia (3,8%), Japão (2,9%), Finlândia (2,8%), EUA (2,7%) e Alemanha (2,3%). Portugal investiu uns ridículos 0,7%. Os maiores produtos nacionais, na mesma altura, em biliões de dólares, pertenciam aos EUA, com 7,8, Japão, com 4,9 e à Alemanha, com 2,4 (a Suécia e a Finlândia ocupam também lugares destacadíssimos, mas não comparativos, tendo em conta as dimensões relativas desses países). Por isso, este produto de iluminação da SIM, pioneiro no mundo, inovador, de baixo consumo e de longa vida, fruto da aposta na investigação e na qualidade, é um exemplo a seguir nesta dura batalha pelo futuro. - NL |