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CLUBE DA VENDA NOVA: TEMOS QUE PENSAR POSITIVAMENTE NAS VIRTUDES TEOLOGAIS…
Dec 27,2007 00:00
by
RSP
A Assembleia Geral do Clube reuniu. Os deputados, porque é Natal, sentaram-se com ar contrito, em silêncio, de fato tirado da naftalina, gravata com nó grosso, à espera da nomenklatura, cujos elementos entraram daí a pouco. À frente, o Paulo Roçado da Mata, de barrete vermelho debruado a branco, com borla e casaco acetinado, e atrás o Gil Pedalais com a barba branca que tinha enfarinhado, ajoujado com um grande saco vermelho às costas, seguido dos outros. Depois de cada um tomar a sua posição nas mesas, o Paulo Roçado da Mata levantou-se e falou: - “Nesta época de religiosidade e mística, temos que ter serenidade e pensar positivamente nas virtudes teologais, Fé, Esperança e Caridade, e tratar dos assuntos das gentes e dos povos da nossa terra sem atritos ou discussões estéreis. Espero que esta assembleia possa ser mais exemplar!”. De seguida, deu a palavra ao Gil Pedalais que, com a mesma solenidade, cumprimentou os presentes e disse: - “Como já adivinharam, trago um saco com prendas que distribuirei no final e agora vamos atentar nos pedidos que os presidentes das Juntas fizeram ao Menino Jesus”, - arrematou com candura. De imediato se levantou o irrequieto Zé Oliva, d’Águeda conturbando o ambiente de paz que se pretendia: - “Gostei muito desse seu tom macio, mas, enquanto cá estiver, não tenho nenhuma fé nem esperança e o pouco que nos dão é por caridade! Farto-me de pedir dinheiro para a variante e para outras obras urgentes e não me dá nada e anda por lá a comprar terrenos e a gastar dinheiro sem me dizer nada!”. Outros falaram de carências das suas terras e começaram a azedar os discursos. Até que interveio, apaziguador, o José Américo Fidalgo, dirigindo-se ao Gil Pedalais: - “Também me parece que o seu discurso é agradável, mas não resolve as questões e já que estamos no Natal vamos falar em solidariedade e deixemos as estradas, as fontes e os saneamentos para outra ocasião”. - “Muito bem! - exclamou o Figueira Parado - já tinha pensado em falarmos do problema da ACASA…”. - “Exactamente - continuou o José Américo Fidalgo - os funcionários do Clube entregaram-me um abaixo-assinado que passo a ler, em que nos pedem ajuda, porque o Clube deixou de financiar…”. - “Pois é... - acrescentou o Armando de Óis - para isso não há dinheiro, mas há aí uma rubrica no Orçamento designada por “Outros”, espero que não seja para foguetes, comezainas, publicidade e relva nos campos de futebol…”. - “Bem, bem... - interrompeu o Gil Pedalais - peço aqui ao decano dos políticos aqui presentes, o Lenine de Falgoselhe, que venha abrir o saco para distribuir as prendas”. O Lenine levantou-se, dirigiu-se ao saco, abriu-o, olhou o interior, virou-se para o anfiteatro e gritou: - ”É uma barrete de Pai Natal para cada um! Espero que os enfiem na cabeça”. Ouviu-se um bruaá de descontentamento e o Zé Oliva saiu a correr da sala a sacudir os ombros e a gritar: - “Eu logo vi, passam a vida a querer enfiar-me barretes, mas este é que eu não enfio!!!!”. |